25 de dez de 2010

Fé, haja fé. Fé para se propor novos desafios, para vencê-los, fé e amor próprio para vê-se como se é. Fé, amor próprio e prudência para escolher um novo caminho a seguir nesse futuro que só a mim pertence. E Fé, essa fé que me move, que motivou durante a maior parte desse ano se resume a um abraço orgulhoso, no fim de uma manhã por causa de uma aprovação no Vestibular.
Vestibular, prova, concurso, desafio que requer sabedoria senão para marcar a alternativa correta, certamente para encarar de frente uma eliminação.
E foram tantas eliminações esse ano. Tantos amigos, amantes, desafetos, tantas decepções, descobertas, surpresas, tanto amor em mim, tanta paz no espírito, tranqüilidade para superar, aceitar as frustrações, fazer da minha briga meu abrigo. Aprender, apreender, aprender ! A beleza de ser um eterno Aprendiz;  A esperança de óculos, eu quis. 
Quanto encanto em música e poesia, nunca tive um ano tão lírico. Poderia fazer um filme.
Parei de beber, fumar e cortar os cabelos. 
Você tinha toda razão, aquele lápis de olho, aquela franja e aquela tristeza nunca foram eu. Tudo um personagem, lembra ? Mas nunca o meu melhor papel. O meu melhor papel é o de vogal nesse alfabeto de possibilidades que eu descobri, não sozinha. 
Caí sim, caí muito, caí com força. Nas quedas não estive só, minha fé assumiu múltiplas formas com diversos nomes ora Isa, ora Luan, ora Thainá. Sem amor eu nada seria.
Aliás, que surpreendente vínculo foi criado entre esses, outros tantos vínculos foram reafirmados, velhos e grandes amigos sempre caberão no avesso de uma dor.
Porque tu sabes que é de poesia minha vida secreta, tu me aceitaste como sou, tu me abraçaste e consolidou-me como alguém melhor.
Tantas fases acabadas, tantas pessoas acabadas, tantos amores despedaçados, por vezes eu mesma despedaçada. 
E você, minha Fé, nunca me abandonou. Você foi tudo pelo que eu lutei, ainda é. 
Eu sempre acreditei que você viria, talvez não com essa força insana, não com os contratempos, os medos, as angústias, não com tanta doçura, carinho e intensidade. Eu não atribui a você, o poder de mudar tudo. Você virou o jogo, mudou as peças, elemento diferencial. Você mudou a mim. 
Se no início do ano passado eu pedi com tanta força para que você viesse, Fé, certamente agora eu pedirei que você jamais me abandone.
Nossa busca nunca será vã.
               Pode rir agora que o fio da maldade se enrola...

24 de dez de 2010

Eu fiz um altar pra te receber ;

Você sabe, sou crédula, promessas, santos e patuás, essa sou eu. Todos os anos, desde sempre, no último minuto do ano, com a boca cheia de lentilha, uva, metida numa roupa branca, pulando sete ondas clássicas, em Salvador, no Rio Grande do Sul, em Cacha Prego ou onde fosse sempre pedi a esse ser desconhecido que rege o universo um amor. Um amor desmedido, avassalador, que não coubesse em mim. Esse ano, em seu primeiro minuto, eu pedi baixinho a Deus uma porção de coragem, uma sabedoria lúcida e fé, fé, sobretudo. E aí me veio você. Você que é sim tudo que eu sempre quis, tudo o que eu sempre sonhei. Meu maior presente nesse Natal. Essa história que por si só é pura poesia, prosa, trova, lira. Esse amor tão imenso e desmedido, esse isso que eu nunca senti por mais ninguém, que nunca foi tão intenso assim, que nunca... Porque nunca, até então, eu tinha encontrado você, você que me completa, que me preenche, que me rouba o sono, você que é absolutamente... Sim, desde que eu te vi, eu te quis.

17 de dez de 2010

Só hoje,

Seu beijos, seus dedos, seu toque, seu sorriso, seu olhar, seu cheiro. Só hoje ! Seus abraços, seus braços, suas pernas, seu sono, seu mau humor, seu escárnio, seu jeito estúpido de estar sempre coerente, seus argumentos, só hoje. Só hoje poder te pegar no colo, só hoje te morder, só hoje brigar contigo e fazer as pazes antes de dormir e sorrir e sentir um aperto no peito quando te vir ir embora, e depois sentir o coração disparar quando você voltar. Só hoje ? Só pra ter seu rosto, corpo, pensamentos, gosto, jeito, cheiro. Só hoje, só amanhã, só depois, pra encher o quarto, a sala, a cozinha, o banheiro de dengo, e preguiça, e beijos de bom dia, boa tarde, boa noite, beijons bons, beijos mil, beijos seus. Só hoje.



Hoje só tua presença vai me deixar feliz...

12 de dez de 2010

Ta-Hi

Me esmero procurando
Palavra que cante
Sabor que me diga
De fato o que sente
Quando a ti, hesitante
Dou-me completamente.
Insulto morais, ultrajo famílias
Nas buscas tais que me dominam
Em favor do seu melhor sorriso silente
Tradução cabal do meu ser [star] berrante.

11 de dez de 2010

Senhas

O mundo está sempre inventando novos artifícios para inibir as diferenças, essa marcha mórbida e progressiva pela massificação só gera estigmas, estereótipos e atentados contra a liberdade de expressão. Não pensem que vocês, todos iguais, normais-homogêneos são especiais, não! Vocês seguem a risca o papel que lhes foi concedido. Sabe o que vocês são ? Fan-to-ches. Pérfidos com sua crueldade, negligência e preconceito. E sabe do que mais ? Não importa se vocês me aplaudem, ou não. Vocês me vêem, me apontam, comentam sobre mim. E eu nem sei que vocês existem . Vocês, com essa mediocridade pegajosa, são todos tão deprimentes. Obrigada, eu prefiro ser diferente. 






Eu gosto é dos que tem fome, dos que morrem de vontade, dos que secam de desejo, dos que ardem

24 de nov de 2010

Brilha, brilha estrelinha !

" Apenas ? Que palavra mais restritiva " - " Apenas acredite. "  Em Busca da Terra do Nunca

Hoje a fé me abandonou, confesso. Não quis falar com ninguém, nem ver ninguém, nem sentir nada, abandono e indiferença, lembra ? Só você estava lá. E não disse nada, sentou do meu lado e dispôs-se a dividir comigo o meu momento de vazio, em que eu egoisticamente - existe ? - despejei minhas dores, faltas, silêncios milenares, eu estava me sentindo diminuta e você colocou o mundo em mim com a sua ausência de significados/cobranças/palavras, bastou você estar lá. Como você é completa demais, semana passada me emprestou um filme e me disse assim " É de chorar ", " Adoro drama ! ", " Não é drama, é de chorar ".
Eu não queria pensar em mais nada, e você foi a única que se fez presente - agora com palavras - na tarde,  já haviam cessado as lágrimas, só restou o calor da sua amizade.
Agora suas sábias palavras, gestos e ações estão em mim, redimensionando o meu ser.
Me enchendo da Fé que eu preciso para acreditar. Afinal o que seria da Esperança, sem a Fé ?
Como eu te agradeço por me devolver a luz, como eu te agradeço por me fazer acreditar novamente?

Sim, você está certa :  Nove menos zero é, mesmo, zero.

23 de nov de 2010

Estamos vivos e é tudo, é sobretudo a lei.

Sou mulher ocidental, quase-branca, quase-bonita, quase-magra, na flor da idade, na flor do tempo, na flor da efemeridade. Sou classe média, glamour decadente, boas escolas, boa comida, carro popular, cabelo esticado, visionária que sou almejo um carro assim que passar no vestibular, para viver minha vida medíocre sob os holofotes e os aplausos da sociedade.
Mas um belo dia acordei para questionar e perguntei um grande " que porra é essa ? " e sabe o que veio como resposta ? cri cri cri.
Minha personalidade, ou a ausência dela, bem como meu caráter, honra e afins se resumem a um pedacinho infeliz de pele na xoxota.
Não sou boa o bastante se não tiver um hímem que me marque.
Como são falsas e fáceis as portas do grande século XXI.
Sou livre, mas se não faço direito sou fracassada, se não faço medicina sou medíocre, se escolho filosofia sou maconheira, se faço arquitetura quero ser dona de casa e usar diploma como enfeite, se sou lésbica é falta de homem, se sou puta é falta de homem, ou é excesso de homem, ou alguém partiu meu coração, se sou solteira é porque eu sou frígida, se sou frígida é porque nenhum homem nunca... Err, não obrigada.
E os holofotes que te exaltam são os mesmo que te jogam no limbo na primeira escorregadela, se você cai aplaudem, se você levanta tanmbém. A verdade é que ninguém da platéia se importa realmente, só o artista que divide o palco contigo sabe como é fatal um caco fora de hora, uma marcação errada, um bife. Só quem divide a cena contigo sabe como um improviso pode salvar - ou não - o espetáculo inteiro.
Ai Zeca Baleiro me chama, assim baixinho, assim sorrindo, assim : Baby, i'm so alone... Vamos pra Babylon ?
Sou privilegiada, minha manhã tem duas estrelas. Uma que me enlouquece, que me põe em chamas, que me liberta e outra que me tranqüiliza, que me abre os braços e que me diz que tudo, tudo mesmo, tem solução.
E elas me ensinaram a mais sublime lição : Não importa se a gaiola é de ouro, é uma gaiola. E você está preso, sim, e cabe a você se adaptar e cantar, ou morrer no silêncio.
Se você se cala e morre, olha só: colocam outro pássaro-gente no seu lugar, mas se você encanta, eles acreditam em qualquer coisa que você cantar.
Eles acreditam em tudo que parece bonito, e te assistem todos os dias no mesmo horário prontos para acreditarem no que você cantar.
Se funciona ?
Muito.
Mas para que funcione, para que você chegue lá você tem que estar consciente da sua gaiola, consciente de si, com algum ideal, e sobretudo, você tem que saber cantar. Gritos não resolvem, silêncio tampouco. Tem que se cantar macio, bonito, no tom. O Guidom ? O gênero ? O ritmo ? É seu.
Aventure-se na liberdade de saber-se aprisionado.
E questione-se.
Não porque você existe, mas principalmente para que sua existência valha algo e permaneça por aqui mesmo quando você se for.


Para ler ouvindo : Só - Zeca Baleiro e Adriana Maciel ( porque é linda )  ou ainda Infinita Highway  - Engenheiros do Hawaii ( porque é revolucionária )

17 de nov de 2010

Admito que perdi.

Quando eu não tinha nada, eu quis.
Eu quis, sempre fazendo surgir do nada o inaparente, o sensível, o mérito. Mérito de quem ? Não meu, você se foi, se foi várias vezes. Tenho meus vazios, medos, angústias, tenho tudo de horroroso, pensamentos inconfessáveis. Intapáveis. Intapáveis, existe ? Quis e fiz existir, apesar dos seus urros, animal aprisionado, você nunca quis um lar, você só gostava da idéia do lar, veja só que ironia. Eu pari, pari mil vezes, a cada nova tentativa, eu pari um mundo para nós, você só precisava estar lá, você só precisava cumprir suas promessas, tornar o amor real, você se negou a entrar no mundo que eu criei, e quando entrou detestou tudo que viu. Doeu. Doeu ver os olhares de reprovação, ver o desprezo, sentir a indiferença, tudo era ausência de amor, e eu cá. Me acostumando as migalhas.  Indiferença e Abandono. Maior abandonada que sou, justificando as suas mentiras (sinceras?) no meu desespero.
Quando tudo era ausência, esperei.
Esperei, ainda espero, uma solução, um milagre, um desatino, um grito, um toque, algo real. Gestação fora do corpo, pode ? Pode fazer um mundo para alguém, dar tudo de si, gravidez de alto risco, semi-morte, é possível dá tudo que se tem dentro de si para alguém, sem esperar nada em troca, se permitindo contentamentos mesquinhos ? É, é possível, é pérfido, é nojento, é ausência de amor próprio, mas é possível.
Ainda espero, palavras, gritos, verdades, alguma demonstração real de tudo que foi dito, reconhecimento nenhum, não quero o lixo das boas palavras, não quero ouvir o quanto eu fui boa, não fui, fui humana, você sabe.
Continuamente, a revelia do que sou, espero. Espero com uma fé absoluta e abstrata - desmedida, intensa, latente, vívida, brilhante - como quem se ajoelha aos pés de um, dois, três santos e acendendo velas mil espera um milagre, espera por um milagre que certamente virá, Ojalá não seja tarde demais. Para nenhum de nós.

Sonhos são como deuses quando não se acredita neles, deixam de existir. 

Para ler ao som de : Admito que perdi - Paulinho Moska.

A tua espera sempre foi assim, contratos feitos com o tempo, amores são sempre possíveis : SIM .  

Para você ler ao som de : Amores Possíveis - Paulinho Moska

28 de out de 2010

Das memórias

Não era boa nesse lance de esquecer, quem vive na lama sabe o gosto que tem. E não esquece, sente saudade.

18 de out de 2010

Final feliz.

E sorriu, olhava para ela embevecido, perguntando a si mesmo o que vira naqueles olhos vulpinos. Viu o mundo, concluiu. Quando ela, de olhos postos nele, perguntou o que havia, ele disse, siomplesmente :  Nada. E voltou-se para frente; Ela suspirou e voltou-se também para frente.
Era linda. Não so jeito superficial, era linda de verdade, era uma pessoa linda. Era virtuosa, humana, racional, tinha sangue nas veias e um jeito curioso de demonstrar afeto, calava.
Por isso não podendo beijar-lhe os lábios, beijava-lhe os olhos. Porque esses eram muito mais do que sua boca, silente, jamais seria. A queria para si, entre os braços, só para sentir o cheiro dos seus cabelos, para aspirar aquele cheiro que lhe invandia a memória cada vez que fechava os olhos. A quis, a quer. A quereria mesmo que ela não existisse, porque antes de amá-la, sonhou-a.  E ela cabia perfeitamente no seu corpo, nos seus pensamentos, na sua vida, outra não seria.

7 de out de 2010

Leilão .

Quanto custa ser feliz ? Qual foi o maior lance ? Eu cubro !
Eu dobro, triplico. Faço qualquer negócio, aqui, ali, agora, desde que eu tenha você, leve você, te compre, te tenha aqui, pra sempre, ou até amanhã.
Vamos, por favor, eu só preciso ter você e mais nada. Nem casa, nem verso, nem música, você é a síntese de tudo.
Eu pareço desesperada ? É, devo parecer mesmo, é porque estou. Estou te vendo objeto-do-meu-desejo posto a venda, posto a venda por mim. Como eu pude te hipotecar ?
Então, amor, eu cubro, dobro, triplico, mas vem, volta.
Volta, amor, porque eu preciso de você para sorrir.
Volta amor, acredita amor. Acredita, porque eu - sem você - não sou nada.
Acredita, amor e me dá a mão. E vem comigo. Que eu te cubro de amor, eu te dobro de amor e eu triplico, amor, juro que sim, se você vier comigo.

17 de set de 2010

Covardia

Sempre fui covarde.
Ainda que essa palavra me dê calafrios.
Sempre fui de sorrisos amarelos e lágrimas, nunca de briga.
Sou dessas pessoas que se acovardam e fogem, correm com toda a força e não pagam para ver.Gosto daquele prazer obscuro da corrida próspera, gosto de como o mundo parece diferente quando você corre, como as cores ficam borradas e como o vento bate no seu rosto e seca os lábios dando uma falsa impressão de liberdade que se desfaz assim que você para.
Quando você para, e sente a culpa latente em cada célula.
E culpa fede.
E não importa quantas vezes você tome banho, escove os dentes ou lave os cabelos.
Aquele fedor ocre de coisa morta que vem de dentro, que aperta o peito, que dói o estômago e que provoca aqueles calafrios e aquelas dores de cabeça que não tem fim.
Dor de cabeça é mal de gente covarde.
Mas passa, Anador não ri, não pensa, não mete medo. Anador eu encaro de frente, engulo ! E fica tudo bem. Vou tapeando aqui e ali, machucando pessoas que não me amedrotam, aquelas que mesmo feridas voltarão. Fingindo ser alguém forte, firme.
Sendo uma farsa.
E como toda farsa, até convenço algumas pessoas.
A questão é: até quando ?

10 de set de 2010

Te ganhar ou perder sem engano

Tinha umas mãos assim frágeis, assim leves, mãos de tocar e sentir.
E como se desacostumada ao toque, minha pele ardia em brasas . Ignorando meu aviso complementar, ainda me tocava. Nunca me ouvia, mas não disse para parar outra vez, nem me afastei. Decidi que gostava das suas mãos. E ainda mais, gostava do seu toque.
Nunca me respondia nada concreto, por isso eu ia semeando mini-dores para que pelo menos nos seus ais houvessem alento. Mesmo que antes que cada Ai, silenciasse como quem ameniza a reação, mesmo que mesmo os ais fossem pensados e saíssem naquele tom frio e com aquele sorrisinhode escárnio.
Não consigo mais me concentrar em nada, concluo. Você está em tudo o que eu faço. E nesse silêncio cheio de descobertas. Devia estar cega todo esse tempo, que não te vi brilhando.

Para ler ouvindo : Amor meu grande amor - Angela Rô Rô.

7 de set de 2010

Turbilhão

Não tem nome. Tem cheiro, tem cor, tem forma, tem sangue e por isso rubor, mas não tem nome. Tem gosto.
Eu te vejo andando, eu conto seus passos, eu quero te pegar no colo, quero que seja meu mundo. Eu quero te guiar pelo labirinto a fora, eu quero te tirar daqui, eu quero te levar para um lugar bonito, onde? Tem um inominável nó na minha garganta, outro na minha cabeça, e agora eu parei de fumar, como eu vou amainar qualquer coisa longe de você. Eu quero verdades, certezas, eu não sei.
Mente e coração,
Mente que sente, mas
Somente diga
Somente sinta
Somente pinte
Você já coloriu meu mundo.

29 de ago de 2010

Mais uma canção

Sem pintura aparente
Sorriso crente
E coração demente
Desmente e sente
o prólogo dessa história, 
entrementes.
Não que não se tente
Não que não atormente
facilmente, 
Era um casal qualquer,
de mãos dadas,
olhando o [amor] poente.
  

Para ler ouvindo : Mais uma canção - Los Hermanos. 

25 de ago de 2010

Colombina

Passo, passo, passo, pausa, sorriso.
 A chuva fina que banhava seus cachos artificiais, tão dourados quanto o sol nascente, entretiam os olhos de Pierrot, que assistia de longe.
 Suspiro.
Andando como se buscasse algo, ou alguém, por vezes perdia os olhos no horizonte. Os olhos que ele tanto amava, os olhos que vira crescer. Uma lágrima quente escorregou pelos olhos embevecidos do moço desajeitado da padaria ao ver, com pesar, o colorido arlequim tomá-la dos braços e girá-la num passo improvisado de dança, enquanto ela - igênua - era toda sorrisos, balançando a cabeça afirmativamente, se foi.
De mãos dadas com Arlequim.
Se foi.
E as minhas lágrimas tinham gosto de fel.   Volta pra mim, Colombina, volta pro seu Pierrot.

21 de ago de 2010

GILDA II

Todos somos naturalmente pudicos. Por isso saímos para dançar à noite, como se não fosse deste meio, Gilda dançava ao meio dia, trajando preto da cabeça aos pés, sob o sol que despontava o fim do inverno. Gilda só existia em função do choque das mocinhas, das patroas, das empregadas, das infames e das hipócritas. Chocava a todas, com prazer, é claro .
Não dançava vulgarmente, como se poderia supor, nem era ballet clássico, tendo ares de louca.
Dançava bolero.
E dançava sozinha.
Há muito Gilda não sabia o que era dançar junto, mesmo quando junto, estava sozinha. Era sabido que nascera para a solidão, sendo dela filha única. Espiou por um momento por sobre o ombro, avistou o mesmo rapaz Johnny, o mesmo Johnny da biblioteca, eram tantos Johnnys e tantas Gildas que considerou por um momento antes de render-se e com um maneio de mão e dos lábios rubros chamá-lo para dançar.
Não sorriu, nem disse "Oi", apenas estendeu a mão e pontuou, esclarecendo o que não pertencia a claridade:
- Estou esperando meu príncipe. - Hesitou, por um instante e tendo as mãos do moço Johnny nas suas, pôs-se outra vez a dançar, com ele.
Agoram eram dois no contraste da realidade, eram dois e não uma só, eram dois, eram um alívio. Eram três, no por fim. Eram três porque o pudor alheio não os abandonara, eram três e Gildas eram mil, bem como Johnnys, quantos eram afinal ?

18 de ago de 2010

GILDA

Retocou o batom, carmim, como as unhas, todo resto era preto no branco, cabelo, roupa, sapatos. Mas era na confidência da pele pálida, que silenciava os segredo dos toques que sonhara. Há muito não sonhava, dormia, também, branco no preto. Mas tendo ele voltado para a sua vida, voltaram as mazelas, as dúvidas e as noites de calefação da pele pálida .
Não o queria mais, não o tolerava, mas sua pele, suas células - também vermelhas, também vulpinas - o queriam, e não podia conter esse querer carmim que berrava-o. E todo o resto a queimava, e não importavam mais os maços de cigarro que queimava a fio, tentando dizer que não, não, não era ele. Era só a merda dos hormônios.
Os sapatos ditavam um ritmo cadenciado pelo assoalho de madeira, queria sumir com os pensamentos, por isso estava ali. Livrarias eram sempre a solução do que era indissolúvel, segurou um exemplar comentado de " O príncipe " entre os dedos, os nós se faziam esbranquiçados, apertava-o com mais força que o necessário.
- Dane-se Napoleão! - Exclamou mais alto do que planejava, atraindo para si olhares perturbados de mulheres de meia idade. Ela mesma era uma mulher de meia idade, dentro da sua juventude interrompida, infame e inescrupulosa. Viu-se refletida num espelho, de relance, e se achou muito bonita, mas gasta, gasta da vida, concluiu. Pegou Clarice, Laços de Família, decidiu-se por fim. Ignorando os olhares e acenos de reprovação, dirigiu-se ao caixa , onde pagou pelo livro sob os cuidados retóricos, e forçados, de uma vendedora muitíssimo preocupada com sua comissão.
Saiu, os saltos estalando atrás de si, esbarrou num jovem homem, de cabelos negros, sobrancelha espessa e sorriso enviesado, ele segurou-a, por um instante, pousando seus olhos cobiçosos no xadrez da existência carmim.
- Desculpa - Sentenciou por fim. Enquanto os olhos dele a fitavam demasiado...
- Não, não! Tudo bem, não foi nada. Qual é o seu nome ?
- Gilda.

15 de ago de 2010

Genericamente falando.

Desde o movimento feminista no Brasil, ou melhor, desde que ele teve voz ativa, implantou-se na sociedade patriarcal brasileira ( bem como, suponho, ter acontecido em outras sociedades patriarcais ao passarem pelo mesmo movimento ) uma nova entidade, um novo tipo de " homem moderno " com um novo ponto de vista sobre a mulher .
Esse " homem moderno " aprendeu tudo a risca com o papai, e quer que sua esposa seja uma mulher moderna, também . Só que ser moderna do ponto de vista desse especime masculino é ser uma workaholic de dia - o que é bom para as despesas familiares - e uma Amélia de noite e aos fins de semana. E a jornada dupla, vira tripla, e quando os bebês chegam não é mais uma jornada numérica é uma jornada de infindáveis frustrações. Isso porque o lar e sua sanidade/integridade depende de nós, e então nos vemos enredadas numa questão de gênero, que genericamente falando é um conflito de interesses socio-culturais de uma sociedade provinciana de valores deturpados .
A questão começa a ser implantada na infância, certa feita falei que gostaria de ser mãe solteira numa reunião de família e vi - sem entender - algumas taças caírem de mãos sobressaltadas, hoje vejo tudo com pesar.
O mesmo pesar com o qual encaro que na minha idade - Dezoito anos, sim senhor - existem meninas que falam em pegar diploma para ser dondoca, sim, e outras que falam em casar cedo, outras muitas que se vulgarizam pensando estar protestando contra algo que sequer compreendem e mais algumas que tem medo de falar, porque mulher que fala é mal vista, é extravagante e logo recebe uma pecha que denigre sua imagem pública.
E quando eu me pergunto onde isso tem suas raízes e porque eu sou " diferente ", todas as respostas levam a educação. Uma educação diferenciada, me fez uma mente diferenciada, uma vez que não foram repassados para mim valores de uma conjuntura moral falida dentro de seus próprios dogmas.
Agora eu pergunto a vocês, e quem é favorecido com essa depredação moral ? Porque uma vez reprimidas as mulheres com voz ativa e continuada a cultura das " Raimundas " ( As quais eu diria ser: feias de mente e bonitas de bunda, pernas, olhos, cabelo e todo o resto - que realmente não importa se não for acompanhado de sapiência. ), nós temos um empobrecimento de todas as camadas da sociedade, porque, as Raimundas também serão mães. E nós não precisamos citar exemplos, todo mundo conhece crianças vulgarizadas desde cedo. Essas serão mães também .
Olha, dona sociedade. Há que se cuidar do grão, porque frutos podres são irreversíveis, grãos podem ser tratados.

14 de ago de 2010

Sou por acaso.

Abri os olhos devagar, o sol inundava o quarto, o sol inundava a mim. Levantei com a preguiça, dancei com ela entre lençóis amassados e fui pé-ante-pé viver mais um grande dia.
Maior que os dias, são as pessoas, constatei ao me deparar comigo mesma virtual no espelho, invertida em pensamentos sobre o tempo, e que tempo !
Quanto tempo faz para nós ? Conferi o post it colado no espelho e sorri, peguei a bolsa, o óculos e saí.
- Hey, vida, espera, eu quero uma carona ! - Anuncei enquanto saltitava rua à fora.

E fui .

29 de jul de 2010

Cherry.

Frágil, muito frágil, e agora - também - distante . Uma devoradora de músicas e livros, leituras em geral, lê a tudo e todos, tem os amores alheios como seus, devaneia com as amigas, chora infindáveis horas pelo que nunca foi seu.
E lê, porque busca nos livros um subterfúgio de todo o mundo de sentimentos que não tem, não sente e não vive . Lê sempre os mesmos de romances bonitos com finais felizes, sentada, esperando, desejando, que o seu próprio final feliz chegue e a salve, não de " quem ", mas de si e dos próprios - frágeis - castelos de cartas passadas.
Lágrima nenhuma, não há mais dor ali, não há mais nada, só d e s i l u s ã o ... Soprando gelada, soprando e arrebatando o último filete de esperança. " É a minha felicidade saindo de mãos dadas com outrem "

20 de jul de 2010

A letra A ? Que nada !

Te odeio como se odeiam algumas coisas pérfidas e nulas da vida
Entre a idolatria e o desprezo,
Te odeio porque não sei detestar de outra forma,
Senão essa em que não sou, nem és.
Mas sobretudo te odeio na proporção
em que tuas atitudes infantis me enojam.
E que fazes morrer a empatia no peito meu.
Además, o amor que me perdoe mas eu me demito.






Depois ofereço créditos, ainda estou colérica.

18 de jul de 2010

Desistir -

Quando não dá mais para sorrir
O mesmo sorriso de outrora
E de manhã a apatia é sua Aurora
Quando no cheiro de chuva
Não há mais nada de Mágico
E aquele amor ainda está latente
" Soldado morto, fardo n'outro ! "
Sorri, demente, descrente ...
Queria te falar, se ousasse me ligar
Nunca ninguém ocupará seu lugar.
Mas agora é bandeira branca,
Desisti, sejamos felizes assim:
Você lá, eu cá.

11 de jul de 2010

Ser Humano.

Não é ser sincero, é ser honesto. É ter Dignidade . É ser Humano, até para fazer outro humano chorar. Isso é decência.
E ter decência depende exclusivamente de ter valor. Ser limpo, íntegro.
Ser Humano, é ser uma pessoa dotada de humanidade e atribuições que façam delas humanas, para errar e acertar, mas os seus erros - humanos - não devem fazer de você alguém sujo, pérfido .
Repugno aos que, podendo falar a verdade, mentem . Mentem porque são inseguros e péssimos gerenciadores dos próprios sentimentos, mas ninguém, ninguém mesmo, tem culpa da sua gestão medíocre, e ninguém tem que pagar por isso .
Não se maltrata flor nenhuma, e todos os seres humanos são em princípio flor, perdem sua beleza e involuem Lamarquisticamente pela falta de uso de suas humanidades.
Tenho dó, entretanto, de quem furta-se a oportunidade de experimentar a verdade, vivendo de mentiras convenientes. Agravando a marcha silenciosa de falência dos valores que nos fazem humanos.
RESPEITO, respeitar-se e respeitar ao outro. Não macular o que não lhe pertence, e mesmo o que lhe pertence, respeito é um bem universal, não se troca, não se dá em favor de nada, respeito é constante, nunca variável. Respeitar-se, é respeitar a sua comunidade e a si mesmo enquanto indivíduo, o respeito está presente nos pequenos atos, numa briga branca, numa resposta, num bom dia e mesmo na presença de um desafeto .
Entendo portanto que uma pessoa sem esses atributos é uma pessoa cujo a humanidade foi ferida, e uma vez ferida dificilmente ela se reestabelecerá.

Francamente, estou indignada, ultrajada, ofendida diante dos últimos acontecimentos, nacionais e pessoais. Mas isso não abala a minha fé, nem me faz ter vontade de mudar quem sou, não sou conveniente, eu sou EU .

Caros Amigos,


Prudência, Bondade, Fé, Justiça e Diplomacia.
Prepotência, Arrogância, Conveniência, Autoritarismo, Orgulho .
Força, Fragilidade, Positividade, Sensatez e União .
E nos dávamos muito bem . E reconhecíamos uns nos outros e gostávamos do aconchego dos braços, dos abraços, dos sorrisos e fazíamos o inacreditável, e quando estávamos juntos éramos o que éramos, e não importava se era bom ou ruim para o resto do mundo, nos bastávamos em nós mesmos e já havia algum tempo . Não é limitação demais, em um mundo de crianças assassinas, querer ser criança ao lado dos mesmos, não é limitação demais unir-se pelas diferenças e descobrir que a equação, na verdade, é bem simples. Éramos, somos e seremos absolutamente iguais e absolutamente diferentes, e é essa complexidade que faz de nós quem somos.



Amor, Fragilidade .

8 de jul de 2010

Eu sou o sol, sou eu quem brilho.

Eu sou feliz, e você, quem é ?
Quem tenta me destronar
Não vê o óbvio ululante,
Que na verdade vou errante
O meu caminho trilhar,
Que não peço nada a ninguém
E nem tenho medo de chorar
Que compreendo que grandes passos
Exigem grandes sacrifícios
Mas luto pelos meus ideais
E sigo meus objetivos
De bem com a vida, de bem comigo
Sua cara emburrada, nauseabunda da vida
Não me faz menos entusiasta do bem, nem menos divertida
Deve ser isso, então
Eu segui em frente, você ficou na contra-mão
Cresci e descobri sozinha
Que o impossível é questão de opinião.







Meu sol te cega.

6 de jul de 2010

Te Valorizo .

Está tudo bem, repeti mentalmente, eu sou linda e mereço ser muito feliz. Encarei o espelho, esquadrinhando minha silhueta, revisando mentalmente o que eu teria feito de tão horroroso que merecesse essas retaliações, depois de um tempo concluí que não havia nada de tão ruim na minha conduta e me senti nauseada.
Agora eu poderia te xingar, culpar, fazer inferno, poderia me transformar, virar santa ou puta, agora eu poderia ser o que eu quisesse, exceto por um pequeno impecílio...
Eu queria ser sua, exatamente isso. Pateticamente isso.
E foi essa consciência atroz que me entregou o " por fim ", não iria cortar os cabelos novamente, nem pintar os beiços, nem deitar com qualquer um, tampouco me vestiria de maneira extravagante. Continuaria sorrindo por bobagens, conversando com bichinhos e crianças, continuaria iluminando os olhos da mamãe e do papai com minhas travessuras estranhamente infantis, continuaria colorindo meu jardim promissor de sonhos com minha própria aquarela e meu próprio pincel.
Dizer que sinto muito pela dor que essa constatação vai te causar, seria uma mentira, um pecado. E você já deveria saber que eu não minto, como eu sei que toda essa minha incapacidade de te odiar te horroriza, você não entende a essência disso, não é ? Eu também não, tudo bem .
O fato é que eu não te odiaria, nem por um segundo, nem só por odiar, não seria capaz. O que eu sinto não cabe em palavras, nem nas suas nem nas daquela que leva pelas mãos, a quem aliás não me surpreende nada que leve pela mão, que te guie. O que eu sinto não é amargo como o seu perdão que nunca veio pelos meus erros de outrora, o que eu sinto é o que me faz flor, o que eu sinto foi o que me ensinou a ser quem sou. Por isso, eu te agradeço.
Obrigada pequeno pássaro de asas de cera, você me ensinou a voar. Agora eu estou indo em busca do meu verão, gostaria que pudesse fazer o mesmo, mas suas asas de cera derreteriam no caminho. Uma pena, companhia seria bom, a viagem é longa.
Tudo bem, não se preocupe comigo, cuide de si e dos seus, um dia- quem sabe - eu te conto as minhas aventuras e te deixo asas novas para voar sem culpa, mas hoje ? Hoje eu quero ir só.







Para ler ouvindo : Tiê - Assinado eu.

5 de jul de 2010

Passarinho .


Ela era toda melodia, e ele todo sorrisos. Tiveram uma filha, que era toda luz e vôo, e eram felizes assim, voando, cantando, sorrindo e iluminando. Nos domingos faziam ninho, todos juntos, saboreando o calor de seus corpos, aquele calor fraternal e aconchegante que só se encontra no colo da mamãe e no abraço do papai. Assistiam filmes, coloriam conversas, brigavam e faziam planos, a menor do clã era tagarela, mamãe canção a ensinou que as vezes precisamos de pausas na música e papai felicidade simplesmente sorriu para ela, e viveram a vida sempre assim, como se todos os dias fossem domingos-de-ficar-em-casa, como se só os sonhos de domingos se bastassem, e eram felizes.

3 de jul de 2010

De linho nobre e pura seda

Algumas coisas ecoam em mim espalhando " REJEIÇÃO " em letras garrafais, e isso me adoece, você não entende... Eu não me sinto incompreendida, porque ser incompreendida é como tentar entender pela metade, e eu me sinto sem tradução só ensimesmada de tudo que me acontece, e o que eu faço ? O que eu faço quando eu vejo tudo dar errado ? O que eu faço com essa covardia ? O futuro não é mais como era antigamente. Eu sei que eu quis o perigo, eu sei que eu tô sangrando sozinha, eu entendo. Mas quando eu vou ter você de volta pra mim ? Quando eu vou descobrir que é sempre ( só) você que me entende do início ao fim ? E como eu vou saber se é mesmo você quem vai curar esse meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto de tudo que eu ainda não vi ?
E de mim ? Quem vai cuidar de mim ? Quem vai morrer por mim quando for a minha vez de morrer ? Tentei chorar e não consegui.







- Referência - ÓBVIA - a Índios do Renato Russo . (:

2 de jul de 2010

Chovendo por dentro.

Te sinto voltando para mim, pouco a pouco, retomando o lugar que sempre fôra só seu. Sinto os olhos ardidos, o coração acelerado, sinto os arrepios, as lágrimas que não vem e aquela tristeza característica. Me pego contigo ao meu lado - ou seria dentro de mim - suspirando.
- Olá, solidão!
- Sabe - ela entoa com um ar etéreo parecendo infantil e sábia - não é certo pisar em flores, mesmo que sejam flores mortas.
- Por quê ? - Exasperei atônita, sem entender.
- Porque - Ela me tocou os lábios, silenciando, com seus dedos frios gentilmente, e sorriu, minha solidão era uma criança belíssima, afinal - mesmos flores mortas merecem respeito... - E continuou, após um muxoxo de reprovação, catando a flor desfolhada aos nossos pés, diante do meu olhar confuso - Flores nasceram para serem amadas.




Para ler ouvindo : Socorro - Arnaldo Antunes.

28 de jun de 2010

Junho menino, Junino.

Hesitei, temi
E a despeito de tudo que sofri
Vendo você com outrem
Fui até você e sorri
Você sorriu também
Tremi, confesso
e mais uma vez,
de coração acelerado, peço
para ter em minhas mãos tua tez
mas o sonho se desfez
Acordei com um sorriso morno nos lábios,
dos seus lábios nos meus,
e amarguei a saudade
ouvindo na música típica dizer que era " mal da idade "
Pulei, sorrindo
As nossas fogueiras de vaidades
Dessa vez Antônio me ouviu!
Eu sentia que era verdade.


27 de jun de 2010

Corsário .

- Desculpa por ter sido uma péssima namorada, eu não sabia o que fazer, mas eu gostava de você de verdade.
- Desculpa por ter sido um péssimo namorado, mas eu precisava de um refúgio, eu me sentia sozinho, mas eu gostava de você, de verdade.
- Você não quer voltar a ser uma pessoa apaixonada ? - Uma pausa reflexiva
- Eu nunca deixei de ser uma pessoa apaixonada, acho. - Respondeu hesitante, sem olhá-lo nos olhos.
- Foi a pior coisa que você poderia ter me dito.
- Desculpa ...
- Você não merecia nada disso, nada daquilo.
Entrementes guardamos o " nada de mim, nada de nós "

Mesmo que eu mande em garrafas mensagens por todo mar, meu coração tropical partirá esse gelo e irá, como as garrafas de naufrago e as rosas partindo-a.


Para ler ouvindo Corsário ( do João Bosco ) com a interpretação de Elis Regina.

19 de jun de 2010

Remar.

-Não gosto mais de você, mamãe, eu vou fugir! - E saia pela porta levando só uma boneca, um pequeno coração rebentado de nãos sonoros da mãe e uma dose de dignidade ingênua .
-Vai, vai mesmo.
E eu fui.
Mas voltei.
Eu sempre volto, não sei exatamente porque isso acontece comigo, o fato é que eu não vou sem voltar, eu não sei fugir. Cachorro magro que sou, caio da mudança inúmeras vezes para me deparar com a absoluta verdade da fome- que é minha - dos meus donos.
E são tantos donos ! Pai, mãe, amigos, amores, amantes. E eu aqui me perguntando porque eu volto para eles o que tem de errado comigo que me faz querer esse carinho, esse amor, essa atenção que ou já não me pertence ( não é amiga ? não me amava ? não ), ou já tem novo lar ( não ia ser para sempre, você não prometeu que ia lutar ? Quem aqui é mais covarde ?), ou é um protecionismo exacerbado que me sufoca. E a lucidez da imperfeição faz-se clara, nítida e horrenda. Quero chorar, transformar em lágrima tudo que eu não sei dizer, mas eu não sei dizer nada, nem tenho nada a dizer. Eu estou errada, o barco afundou e eu não sei nadar.

Mas voltar sempre cansa,
voltar sempre,
cair de novo,
nova mudança.
Cansei dessa dança.





Para Laizza Pedroza .

11 de jun de 2010

Conversa de botas batidas

Vi solta por lá, bichinho pequeno, pedindo carinho e atenção. A tomei nos meus braços, fiz dela filha, irmã, amiga, fiz dela refúgio.
Me contaram que é quando os filhos entram na adolescência que tudo fica mais difícil, e foi. Foi na adolescência da nossa amizade que você ficou rebelde, sem causa, foi lá que você fez de mim mãe sozinha, protetora desgostosa e a cada nova topada sua meus argumentos se esvaiam, perguntei as outras mães o que fazer, como agir. Elas diziam num liberalismo infindo " Deixai fazer, deixai passar ", mas não passou, só fez.
E fez tanto que me cansou, desisti da maternidade, de você, pranteei seus vícios um a um, fugi, fugi do mundo me refugiei longe dos seus paradoxos, cansei de nutrir esse não-amor por você, filha.
Desculpa ter sido fraca, desculpa te largar quando você mais precisava de uma mãe, ou uma amiga, mas sou criança como você. Sou o que você vai ser quando você crescer, o que espero que seja logo.
Espero que você entenda que tudo que fiz foi por te amar demais e por não suportar, não saber lidar, com o que dia após dia, a cada nova expectativa frustrada, você se tornou. Quando você voltar para casa, quando cansar de fugir, mamãe ainda vai estar aqui, para contar histórias para você dormir tranqüila, para cantar para te mimar.

Mãe, amiga, irmã, com amor.

7 de jun de 2010

De Gilda para Gilda.

Carmim, chegou guardando sorrisos
Sorriu para aquele outrossim
Olhos enegrecidos, pele de marfim
Cruzou as pernas, olhou para o arlequim
Deu uma piscadela, sentenciou o fim .



Referências: MENDES, murilo Gilda - poesia
ABREU, caio fernando Os sapatinhos vermelhos - conto.

30 de mai de 2010

Procura-se .

Sorriu, tinha um cigarro pela metade metido pelos beiços obscenamente vermelhos. Trajava preto, o que a deixava ainda mais pálida, tinha os cabelos em cachos, parecia saída de um folhetim antiquado naquele lugar, com todas aquelas meninas padronizadas.
Tinha uma certa fragilidade que a envolvia e me fazia querer sorrir de volta para ela, mesmo odiando cigarro. Acenei, então, assim, como um desinteressado qualquer, ou como todos os desinteressados que notoriamente estavam interessados nela.
Mas, foi para mim que ela sorriu de volta, era para mim aquele maneio de cabeça sutil, e aqueles dedos frágeis que diziam "vem" com um movimento despojado. Levei um tempo para assimilar aquela mensagem, mas fui, fui e não voltei ainda. Já fazem 2 anos e eu continuo lá. Todas as noites de sábado, no mesmo horário, esperando-a, esperando o fim da nossa história.
E nenhum dia nesses 2 anos, nem mesmo no dia da morte de minha mãe, esqueci o calor dos teus braços. Não esqueci a delicadeza com a qual se curvava para mim e falava assim baixinho, com voz de menina que não condizia com sua aparência : " Você vem sempre aqui aos sábados né ? " .

Sim, eu venho sempre aos sábados.

26 de mai de 2010

10 anos, afinal.




Alanie diz: Achei essa foto tão tão tão parecida comigo

Ana Elisa diz: É assim que você se vê ?

Alanie diz: Por dentro, não por fora, sim.

Ana Elisa diz : Nada a ver, você por dentro se parece com essa aqui :

24 de mai de 2010

Ver melhor...

Preto e vermelho
Pulsando, arritmia,
fora do tom, em sincronia
com a cor do desejo

Branco, lilás
Suando, euforia
no mesmo compasso
carícias no entrelaço
de beiços vulgares

Bege e azul
Escrevi um bilhete,
e nele um Adeus...
...com gosto de até logo.


-

Na sequência de cores da minha aquarela da noite passada: Roupa, boca, pele, unha, papel e caneta.


22 de mai de 2010

Eu rabisco o sol que a chuva apagou.

Fechei os olhos - mas não sem antes espiar os dois lados - puxei o edredom até que este cobrisse todo meu corpo, e então, como não fazia há tempos, rezei.
Rezei todas as rezas que sabia, e depois inventei algumas, me perdi, troquei sílabas, palavras, frases inteiras e adormeci assim, rezando.
Acordei assustada, pedindo clemência ao silêncio, acordei esperando um abraço que não estava lá.
Chorei, e cada uma das lágrimas vertidas tinham um silêncio em si, a última, entretanto, tinha um abraço. Antes que ela se espalhasse pelo travesseiro, como as outras, a capturei com o indicador e levei-a aos lábios, sorvendo-a.
E cada parte de mim agora é abraço, o silêncio se foi com as lágrimas.

21 de mai de 2010

A beleza de ser um eterno aprendiz.

Subir, voar, empreender
Ser capaz de contornar
As voltas que a vida dá
E aprender a crescer

Mudar, sentir, sonhar
Enfrentar os medos
Saber manter segredos
Não ter vergonha de errar.

Aqui agora, ou em outro lugar
Saber ser justo e pagar por isso o custo
É aprender a não julgar.

Talvez além, iremos juntos vislumbrar
O resultado do aprendizado
Na fina flor a desabrochar.

17 de mai de 2010

Onde brilhem os olhos seus.

Das mãozinhas rápidas cortando o ar em movimentos repetitivos, acompanhados de gritos e chutes. Eu com um sorriso orgulhoso no rosto e os olhos colados na pequena Karateca, aplausos. Quanta força!
E ela se despediu do seu público eufórico com um cumprimento tradicional e veio até mim, sorrindo tranquila! Às vezes eu queria te pegar no colo . Abracei, como todos os abraços que destinava a ela, com força, vivacidade, duas palavras que eram só dela e que de alguma forma ela extraia de mim num abraço.
Gostaria de te dizer o quanto eu me orgulho.
Cutuquei as costelas, ela parecia sempre tão frágil, ela exclamou qualquer coisa e esboçou uma reação, mas tão logo aquietou-se com as perninhas bem juntas e as mãos sobre elas e começamos a cantarolar juntas uma música, rimos da nossa sincronia, ríamos muitas risadas daquela forma.
Nos despedimos, sabendo que estaríamos em nós a cada nova manhã, sabendo que não nos largaríamos nunca. Não solta da minha mão ? Nunca!
Já éramos parte uma da outra, e era esse ser em partes que nos dava forças para continuar.

Eu não sei dizer o que quer dizer, então eu escuto.

Obrigada por me deixar em parte ser você, Thainá Freitas.


12 de mai de 2010

Ilíada .

O vento trazia consigo o cheiro de final de tarde numa cidadezinha de interior. Sentada num banco qualquer de uma dessas praças onde todos se encontram, perto de um chafariz, no meu colo repousava um semi-deus, vamos chamá-lo aqui de Hércules.
Podia ser para sempre.
Ele envolvia meu rosto com ambas as mãos e falava sem parar sobre coisas aleatórias, queria aproveitar cada vão momento. E sorria, sorria daquele jeito que só os semi-deuses são capazes de sorrir. Eu, que vim ao mundo só para cantar seus feitos, sorri de volta. Nunca serei capaz de te deixar . Fiz milhões de promessas, algumas das quais me arrependo profundamente, mas não me calei, falei tudo que me vinha a boca, queria desesperadamente que Hércules se calasse, cada palavra dele fundava um conjunto novo de sonhos que eu sabia ser cedo demais para que existissem. Por favor não faça isso comigo. Ele calou-me com um beijo ao passo que começou a cantar uma música conhecida nossa de outros tempos...

Você é algo assim, é tudo pra mim, é mais que eu sonhava... Você é mais do que sei, é mais que pensei, muito mais do que eu esperava... Eu vou morrer de saudades, não não vá embora...

E eu vi, rolarem pelo seu rosto muitas lágrimas disformes, e eu o achei tão bonito assentado ali no meu colo, tão frágil, tão humano que eu me curvei aos seus pés. Jurei amor eterno vinte vezes no silêncio da minha falta de experiência.
Mas no minuto seguinte, descobri que cada uma daquelas lágrimas havia sepultado uma parte de mim. Tarde demais.
Ele levantou, vitorioso, pegou suas asas de cera e foi buscar um lugar ao sol. Meu rosto iluminou-se com um sorriso de escárnio.

Você vai cair.

9 de mai de 2010

Eu preciso dizer que te amo.



Ela está cada vez mais esquisita! - sussurra uma voz feminina estridente e fanhosa ao ouvido de um feioso qualquer, que como todo feioso é um despeitado covarde.
Mas é uma vaidosa, detestável! Quem ela pensa que é ? Só quer aparecer. -Ele responde com aquele ar afeminado crítico, mais alto do que sua maldade pretendia. Falta de classe. Não me contenho, nunca me contenho. Sinto um ímpeto de raiva subir-me pela garganta, penso em dizer-lhes mil coisas, dizer como eu estava enlouquecendo, ou como eu tinha nojo daqueles olhares inquisitivos em cima de mim, ou mesmo que eu não ligava para eles, que eu só queria viver. Não disse nada além de um " O que é ? " que nem ríspido foi, também não fiquei para esperar a resposta .
Não posso ser assim, não posso ser cruel, não posso, eu não sou igual a eles, EU NÃO QUERO!
Também sou covarde afinal.
Sigo os demais, ainda estava fantasiada de qualquer coisa que não era eu. Não ligo, estava perdida em pensamentos, olhos baixos, pareceria frágil, se não parecesse tanto com alguém que fui outrora. Senti os braços acolhedores do meu herói me envolverem, sorri. Não estou sozinha .
Eu te amo, sabia ? - Pensei, e não disse, disse entretanto uma frase sem qualquer valor sentimental, para nós, claro - Estou cansada.
Senti seus olhos verdes me furarem, buscando qualquer coisa além disso. Tenho me lamentado tanto ultimamente ...
Silêncio.
Ele parou, eu continuei andando, lembrei de uma conversa anterior e uma bebedeira de outrora, lembrei dele me dizendo como se sentia, como sentia o mundo. Não posso afundar, não quero ficar no escuro outra vez. Nos encontramos outra vez, sorri, mesmo sem vontade não sabia ser rude com ele, na verdade, não conseguia.
O esquadrinhei com os olhos, estava mais bonito...era forte. Mais do que eu sonharia.
Eu te amo ! - Disse num grito e o abracei, como sempre abraçava, todos os dias, daquele jeito quase maternal, quase como uma amante desesperada - que eu sou, afinal - só para vê-lo fingir o sufocamento - meu bebê! - e reclamar da minha falta de tato e depois, depois dizer para mim, sorrindo com os olhos, quase agradecido :
- Eu também te amo.

Em que momento eu coloquei a minha sanidade nas suas mãos ?

Para Luan Buriti Borges.

3 de mai de 2010

Como eu sou girassol, você é meu sol.

Levantou os olhos outra vez, encarou as paredes forradas de sonhos antigos, marcas de mãos, recortes de revistas e fotografias velhas. Então, voltou a escrever.
O tec tec das teclas ressoava irritante, fez uma nova pausa, desceu as escadas com a leveza habitual, acendeu as luzes no caminho, passou pelo corredor, entrou na cozinha. Antes mesmo de entrar sentiu o cheiro de alho e ervas, sorriu. Como se estivesse desabilitado a sorrir, seu rosto não se rendeu rapidamente.
Esqueceu o que pretendia fazer, sentou - no chão mesmo - apoiou o rosto nas palmas das mãos e começou a recordar...

Lembrou-se de quem fôra um dia, riu sozinha de algumas piadas que contara outrora, lembrou de um amor que teve. Não tinha beleza que se equiparasse a esse objeto de amor infantil, nada, nenhuma das histórias contadas seria capaz de descrevê-lo. O amor era como um raio de sol- que eufemismo, pensou - e perigoso como tal. Mas irreverente que era, decidiu não usar o protetor solar.

Fez na areia dos seus sonhos diversos castelos, todos de arquitetura duvidosa, nem notou em que parte de sua tarde feliz a maré começou a encher. Só se deu conta da proximidade das águas quando elas já lambiam seus dedinhos. A água estava gelada, e o sol já estava se pondo. O sol poente sempre a havia seduzido, acho que era por causa de todo aquele vermelho no céu. Se afastou dá água, esqueceu os castelos, rumou em direção ao sol. Como não teve a sorte de
Ismália*, seu horizonte estava no chão, perto das dunas que só ela era capaz de ver.
Queimada e triste, parou a certo ponto confusa.

Porque me abandonastes, se sabias que eu era fraca? Se sabias que eu não era Deus ? - se perguntou num fio de voz.

Como resposta, viu iluminar-se uma lamparina numa barraca ali perto, a noite já havia apossado todos os cantos com seu azul triste e frio.
Pensou que talvez fosse a lamparina um pedaço de seu sol, pensou que podia ser um sinal, pensou que a noite ia acabar, que seu amor voltaria. Correu o mais rápido que pôde na direção do seu fiapo de esperança, decepcionou-se outra vez. Praguejou, gritou, prometeu que cresceria, que ia ser grande e adulta, que orgulharia seus pais, que seria médica, artista, advogada e jornalista, tudo ao mesmo tempo para nunca mais sentir o sol, nem vê-lo, muito menos amá-lo.

Adormeceu ali, perto da barraca decadente, embaixo da lamparina, o vento soprava impiedoso, não teve nenhum pesadelo nessa noite, mas acordou com uma carícia no rosto, morna e afetuosa . Teve medo de abrir os olhos, mas abriu.
Ficou surpresa quando descobriu que aquela era a carícia pela qual procurou a noite inteira. Seu Sol tinha voltado! E ele estava tão bonito ! Desculpou-se pelas acusações, disse-lhe que a culpa era toda sua, que tinha sido estúpida de sair sem o protetor. Ele ouviu, ouviu calado tim-tim-por-tim-tim e quando ela concluiu desesperada com um eu te amo qualquer, ele fez sinal para que ela se calasse, e disse, de uma só vez, num sussurro ...

Não temas, o prazer do meu calor é fugaz e banal, qualquer lareira pode te oferecer. Mas, nunca ninguém vai ser capaz de te ensinar tanto com uma queimadura, e, tampouco de iluminar todas as suas alvoradas com o mesmo carinho de outrora. E ninguém, ninguém mesmo, minha princesa, vai te amar tanto, e tão intensamente, que precisará fugir só para te mostrar a noite, só para te dividir com ela, porque a noite também te ama e eu devo isso a ela.

Rolou os olhos, abraçou a si mesma como se sentisse um frio insuportável - que vinha de dentro - mas resolveu ir para a janela, e ele estava lá. Lindo, como sempre, brilhando só para iluminar as suas alvoradas.





30 de abr de 2010

Um cigarro, um segredo e nada mais.


Isso mata, você deveria parar.
Tudo mata, tristeza mata mais
amor mata mais, viver mata mais
E quem pode diagnosticar ?

Quantas vezes mais me sentirei devassa,
Nos meus caminhos tortos, sem tino,
Deixando por aí rastros de fumaça.
Quantos outros segredos guardarei desse azar
E quantas outras vezes verei minha mãe prantear
o vazio dos sonhos que não me viu realizar ?

Viver é um morrer progressivo
Dotado de um mistério medonho
Que só alguém que em pesadelos vê sonho
É capaz de adjetivar.



25 de abr de 2010

Lucy in the Sky with Diamonds .

Tudo bem ?

Tudo Blues.

Domingo bom ?

Domingo é dia de se render,

De ir a missa, pedir perdão pelas infâmias semanais.

Façamos, diferente então!

Façamos poesia que o domingo é dos poetas,

Porque somos invisíveis aos olhos hipócritas do nosso mundo.

Segura a minha mão, dancemos, trepemos e cantemos!

Me siga e faremos a chuva sorrir, que não tem ninguém olhando agora.





- Inspiração, Otávio Dall'Asta.



Original :



Façamos poesia, domingo é o dia dos poetas, porque para o resto do mundo que pára e se rende aos encantos da poesia, nós não existimos, mas, segure a minha mão e dançemos, trepemos, cantemos, façamos a chuva sorrir, que não tem ninguém olhando agora...


24 de abr de 2010

I WANT YOU.

Se você fizer uma radiografia da sua vida, verá com certeza - e quem sabe com um certo espanto - que eu apareço, do tornozelo ao pescoço.

Meu bem, meu bem, meu bem. Ouça o mal tom do alheio, quem irá nos proteger ?

Você vai me destruir! Me indignando, me enchendo de tédio, não me satisfaz!

Se me trocares nem por isso eu morro.

Me sinto só, me sinto tão seu.

Acabou chorare.

Medo de subir, gente, medo de cair, gente, medo de vertigem...Quem não tem ?

Com açúcar, com afeto.

Eu vou fazer uma canção pra ela.

Meu coração não se cansa de ter esperança de um dia ser tudo o que quer.

E eu não quero amor nada de menos, dispenso os jogos desses mais ou menos.

A letra "A" do seu nome, abre essa porta e entra, na mesma casa onde eu moro, na mesa que me alimenta.

Não se afobe não, que nada é pra já, o amor não tem pressa, ele pode esperar... No silêncio, num fundo de armário... amores serão sempre amáveis.

...


15 de abr de 2010

Dó sustenido.

De longe, através da janela, a vi formar-se,
E mesmo antes de vê-la, já sentia seu cheiro.
Depois a vi crescer e aproximar-se,
Quando saí ela caia em si bemol
Batendo no meu rosto, lavando a minha dor.
A princípio pensei ser uma carícia,
Depois descobri que era tapa.
Chorei, chorei, inundei a rua com minhas lágrimas
Chorei, até o choro sustenir-se,
E a chuva que chovia de mim lavou a rua
E a outra, lavou-me a alma.



Não solta da minha mão, não solta da minha mão.


Para : Rafael Sady e Ana Elisa.

14 de abr de 2010

Balada do Não que virá.

Talvez novamente me encontre
Marginal em seus pensamentos
Pulsando em sua veias
reavivando seus tormentos

Talvez, por um breve instante
Sinta sua razão vacilar
E venha ao meu encontro

E quando o talvez virar não?
E outra vez, talvez, não queira.
O que farei com a emoção
Que a ti nutria a vida inteira?

Talvez, quando sua razão vacilar....
Eu não esteja mais lá.
E, talvez, outra vez, se desencontre
E encontre em outros braços um novo lar.

I say a little prayer for you ,

Senhor, fazei de mim um instrumento de Vossa paz

E onde houver mediocridade, que eu leve a mim
E meus olhinhos infantis,
para a partir de mim, vislumbrarem o mundo
Os infelizes vis.

Senhor, fazei de mim um instrumento de Vossa paz

E onde houver efusão, que eu leve Franqueza
porque o Senhor é o caminho da Verdade
E eu sou sua imagem e semelhança,
E mesmo quando a mim me assolar
a descrença, faça com que pareça Bonança

E onde houver discórdia, que eu leve a Luz .



Alusão à oração de São Francisco.

13 de abr de 2010

Incompleta e inconclusa.

Hoje eu 'tô assim.*

Se por acaso te quedar triste
E quiser o acaso que eu esteja lá
Não chore nem maldiga a solidão
Se achegue a mim e faça par.

Se me ver chorar com os olhos
Mesmo com um sorriso no rosto
Não me julgue, não me ajude,
Não ocupe esse posto.

Não finja que não sabe do que falo
Toda gente conhece a solidão
Alguns fingem que vivem...
Outros buscam uma estação.

13-04-10 às 00:48 pós conversa com Tainnah Bastos, estudante e dona do blog Hoje eu tô assim .

30 de mar de 2010

Agora é brincar de viver !

Não esquecer: Ninguém é o centro do universo, assim é maior o prazer.

Tenho experimentado uma paz interior fabulosa, é importante isso de estar de bem consigo e com o mundo que te cerca, nos confere um certo poder.
A rotina desgastante de estudo do Terceiro ano e aquela sensação estúpida de falta se apresentando previamente, dá a convivência uma tensão de pré-perda e tudo fica mais bonito.
E consoante tudo isso, eu sinto minha personalidade se enquadrando, tomando forma, e me vejo mais mulher que menina hoje. Mais sensata, mais ponderada. Mais horizontalizada, frente as expectativas sem fim que diviso para mim e de mim.

Para ouvir: Maria Bethânia - Brincar de Viver.

23 de mar de 2010

Soneto da Separação.

Alanie Ramos (GLEE) diz:
Quando você entra, é tudo bonitinho até, você atura mas depois de um tempo tudo Satura e as coisas vão ficando rançosas e perdem a vida e você sabe que você ama a pessoa mas sabe também que aquelas atitudes que estão te ferindo não cabem no seu mundo. E chega uma hora que você simplesmente precisa decidir entre o seu mundo, seus valores, seus ideais, seus sorrisos e os sorrisos de uma pesoa que você sequer reconhece mais. E aí é como se um pedaço da gente morresse e a gente tivesse que velá-lo, sabendo que é da gente e dói, de um jeito que vai comendo a gente por dentro. E nada, nem as lágrimas, nem os berros, nem o ódio, nada é o bastante, indignação, humilhação, frustração. Eu não acho que sei como você se sentiu, mas eu sei como é me sentir usada. Como se todos os " Você é o amor da minha vida " e " Eu não vou desistir de você, NUNCA " jamais houvessem existido.
As pessoas mentem, Rafa, e é muito pouco o que se pode confiar para cada pessoa.
Abençoados são os que tem pessoas em quem confiar cegamente, vide amigos.
Amigos de verdade, no sentido amplo da palavra.
raaaaafs ! (eating a lot.) diz:
E foi engraçado, porque justamente na hora que eu estava chorando a minha mãe ligou pra perguntar se eu já havia chegado. E eu estava chorando muito. Quem atendeu o telefone foi o xxxxx e eu disse que queria falar com ela, que era pra ele me passar o telefone. E eu chorei mais ainda. E pedi desculpas a ela e disse que a amava.
E ela disse: Você vai ficar bem, meu filho, não fique assim.
Eu me sinto um idiota, sinceramente.
Eu confiei tanto nele, Nan, tanto.
Eu dei tanto amor.
Eu dei tudo meu que tinha pra dar.
Passava dias na casa dele dando carinho, conversando, fazendo ele PENSAR na vida dele.
Provocando-o com coisas que ele não pensava antes.
Aconselhando a fazer um vestibular.
Aconselhando a não parar de estudar nunca.
Aconselhando a dar mais atenção a família dele.
A tia dele que é praticamente uma mãe.
[...]
Sabe... Eu sou um bom garoto.
Eu tenho mil defeitos.
Mil e um talvez.
Ou milhões que ainda não descobri.
Mas tenho certeza de que fui bom e fiz o melhor que pude pra que ele fosse também.
E ver alguém jogando toda essa bondade pelo ralo é difícil.
Eu deixava de sair com meus amigos pra sair com ele. às vezes meus amigos marcavam coisas e eu sempre dizia que não podia ir, porque meu final de semana era sempre reservado para ele...
a minha semana toda era reservada.
E foi um desperdício vagabundo de tempo, de sentimentos, de amor.
De cuidado.


Então o riso, fez-se pranto. (:


27 de fev de 2010

Quanto querer cabe em meu coração ?



É estranha a dúvida, a indecisão, o fado, o fim.
É estranha a saudade, o gosto, a precisão.
Tudo quanto mais falar de você, é estranho em mim.

E as forças atávicas que movem o mundo
cantam o fracasso de todas histórias de amor
Que me levam ao encontro do fundo
do poço, da cama, da lama.
Alanie Mineiro 27/02/10






Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim. ( Caetano Veloso )


9 de fev de 2010

A beleza do erro, do engano, da imperfeição .

O cheiro rançoso de giz, mofo e suor tomavam conta da sala, eu me sentia seriamente deslocada - como não ? - , sentia a falta das minhas manhãs escolares, dos meus colegas limpos e do conforto das cadeiras novas .
Olhei mais uma vez ao meu redor, pessoas de aparência descuidada, certamente maltratadas pela vida, ou não. Me senti superior, por um instante, e no instante seguinte senti aquele peso característico da culpa.Logo senti os rubores denunciarem que meus pensamentos me envergonhavam, notei que estava sendo observada, olhei para o meu concorrente e sorri.
Sorri, assim, por culpa ou vergonha, ou mesmo por simpatia. Mas certamente sorri sem vontade. Senti medo, coragem, nojo e prazer e olhei encantada para o meu futuro que era só parte de um plano - ainda - ideal.
Pensei no novo passo que estava dando e então na sua importância. pensei também que alçar vôo nem sempre é uma delícia - ser pequeno pássaro a deriva na imensidão de escolhas, ideias e sonhos - mas, certamente é necessário.
E num lapso de ave, fechei os olhos e me deixei levar ao sabor do vento .
Abri os olhos, mais uma vez o cheiro, o desconforto, as pessoas e uma lucidez mórbida me sussurrou com ares de segredo, me arrancando num só golpe os devaneios : Lembre da brisa, pense no sonho, marque a alternativa correta.

1 de fev de 2010

Purificação.

A coisa mais certa de todas as coisas certas que meu pai já me disse foi : Não faça uma mala que você não consiga carregar.
Tudo começa e termina nessa frase.
Certa feita um rapaz que era a pessoa mais doce que eu já conheci, que me ensinou que todos devem se amar, que me amou, ou ao menos fingiu bem, apareceu na minha vida, e após um ano e meio de insistência, começamos a namorar.
Mas nem todo mundo sabe lidar com a verdade, e ele não soube lidar com a verdade sobre mim, nem eu soube aceitar as traições dele. Porque eu não sei com vocês, mas comigo quando eu amo aquela pessoa é suficiente, quando eu desejo eu desejo de corpo todo, e assim, eu terminei com ele por uma nova experiência, eu fui imatura e falei a verdade.
Algum tempo depois voltei a ficar com esse rapaz, que já não era mais uma seda, ele era um total desconhecido, mas eu ainda queria ele para mim, erros acontecem não é mesmo ? Ele havia se tornado um poço de mágoas, alguém frio e cada vez mais ele se afundava nas próprias frustrações . E eu continuava enchendo a minha malinha de esperanças cheias de avarias, de sonhos e expectativas. E pela terceira vez eu encontrei com esse rapaz.
E ele já não era uma seda, e os sonhos dentro da minha mala rosa já não eram sobre ele.
E nem eu era mais a mesma, eu era uma mulher e ele um garotinho cheio de medos e mágoas, um garotinho com medo de assumir os riscos e como qualquer outro garotinho ele não aceitou meu "ponto final" de bom grado, mas diferente dos garotos normais, ao invés de se jogar no chão e chorar, ele decidiu que eu merecia uma dose maior de desilusão. E ele com grande maestria - ou não - enfiou um punhal no meu peito.
A apunhalada foi seríssima, fiquei desde então incapacitada de carregar minha malinha, que ficou no chão enquanto meus anjos da guarda tentavam me reanimar, acabou sendo pisoteada pelo garotinho fazendo com que todo o seu conteúdo se espalhasse pelo chão e se perdesse na multidão de pés que era tudo que eu via.
Meus anjos conseguiram me levantar, e aqui vivo eu mais uma vez sem sonhos, sem ilusões, sem mala. E o menino que um dia eu amei com tanta força não sobreviveu, morreu em meus olhos, morreu aos olhos de seu anjo, morreu ali, naquela praça cheia de gente, sonhos, esperanças e sorrisos.
Eu certamente sentirei sua falta, menino que sorria com os olhos, menino que sorria com a alma.
Mas nada vai me fazer mais falta que a mala rosa que foi embora junto com a sua vida.



In memorian do amor que tive.

Picolé de Chuchu ;

Fria e Indigesta !