28 de out de 2013

Tudo quer buscar. Cadê ?

Estava às margens de si, e à guiza de qualquer explicação. Estava em qualquer lugar e  não queria nem isso, nem aquilo, queria o nada, o turbulento nada. Tudo estava desmoronando, o sol já havia se posto, os amigos despostos, depostos, indispostos. Os sorrisos desfeitos, a a pacata vidinha no interior de si morrera, não estava em paz com a própria dúvida, nem com a própria guerra, o conflito estava ali de novo, nem as roupas, nem os lenços, nem os brincos, bolsas ou sapatos, queria correr nua no mundo, numa estrada de chão, queria ser criança e comer o barro, encontrar o barro, ser criatriz, criatura, criação, queria e queria e nem sabia ao certo o que queria. A bagunça dentro e a bagunça fora, a bagunça pestilenta que a empurrava para precipícios e princípios. Queria tudo. 

21 de out de 2013

Sempre.

Não sorria, nem sempre por falta de motivos, mas por falta de dentes. Ouvia desde nova que preto se avalia pelos dentes, tinha 12 sobrinhos e ajudava a cunhada a cuidar deles. Em dias de chuva bolo e café preto, preto feito a sua pele e amargo como todo o resto. Não tinha desejo, nem amante, nem grandes aspirações, seu noivo também preto a largou no altar, a única vez na vida que vestiu branco, que sentiu-se branca, seu noivo lhe deixou a sós com o mundo e com a multidão, foi morte, sabe?   O policial também preto entrou na casa dele e o matou, porque ele devia a um branco. Disseram que ele era ladrão, mas não. Nunca tivera um filho, só os 12 da cunhada, e as doze lamentações e no meio desses doze uma pretinha terna, seu amor. A chamava de Sempre, essa sorria com gosto mesmo quando não devia, apanhava do pai, coitada, alcoólatra e ainda ria, riso solto e pra cada gargalhada mais um tapa, e Sempre ria, e corria para o colo dela que querendo rir para Sempre não podia e calava, minguava, por falta de dente.

12 de out de 2013

Pronde foi?

Pronde foi a minha fé, 
meus ventos, 
minha sorte
Pronde foi meu norte, 
meus amigos, 
minha corte?
Pronde foi a paciência, 
a sensatez, 
o medo da morte?
Pronde foi meu café, 
meu dia ensolarado, 
minha paz,
Pronde foi, meu bem,
você que não lembra mais,
você que me deixou, sem dó, pra trás
Pronde foi meus irmãos,
minha manha, 
Pronde foi, 
que sobra tanta falta...

Picolé de Chuchu ;

Fria e Indigesta !