26 de dez de 2008

Lamento muito, mas não vivo nem de " se " nem do que pensam ;

Quantas vezes você passou por um lugar e olhou para um quanto qualquer e sorriu com uma lembrança?Quantas vezes você andou na praia descalço consoante o sol se punha? Quantas vezes você beijou a testa de sua mãe e lhe pediu a benção ? Quantas vezes você dançou de maneira ridícula? Quantas vezes sentiu o desejo assumir-lhe a posse, correr as veias e ser o guia? Quantas vezes se deixou guiar pelo desejo, pela sede ? Quantas vezes cedeu ? O que cedeu ? Como o fez? Quantas vezes esteriotipou, julgou, falou ou agiu mal para alguém, de alguém e com alguém? Quantas vezes você está disposto a esquecer, a me esquecer?


Olhei e vi, mil vezes e mais mil vezes que fossem, sorri lembrando de outra época quando tudo era menos complexo, andei e corri, com os braços erguidos, feito criança, cantando para o sol que se afundava no horizonte.Nunca lhe pedi a benção, mãe porque sei que nunca deixaste nem por um fragmento ínfimo de segundo de estar me abençoando, e nem mesmo quando frente a muitos deixei de agir como sempre, nunca deixei de dançar mal e porcamente por vergonha. Sempre deixo o desejo falar quando sinto a sua constância em mim, me entrego as minhas vontades latentes, rubras, na carne pálida e na incostancia sentimental. E me entrego, inteira, sempre mesmo que perca para aprender como ganhar, mesmo que ceder só não baste. Já não tenho dedos para contar de quantos barrancos despenquei e quantos rastros de incompreensão eu já deixei. Muitas vezes deixei a hipocrisia reinar, muitas outras a calei dentro de mim lhe provando que a vida é mais doce quando se esquiva de jugos de qualquer tipo. Evito, embora faça, comentários que não me engrandecem como ser humano, tento sim, olhar e ver um espelho no outro e crescer com isso, não minto a inveja que sinto de algumas ou várias situações que levam a críticas ferrenhas e indóceis, mas não minto também a lucidez ferina que em assola.
Suposições, achismos decréptos e jugos preciptados à parte. Não me esqueço, não esqueço, as coisas me marcam e mesmo quando sôo distraída me pego guardando os detalhes dentro de mim.

23 de dez de 2008

É preciso AMAR as pessoas como se não houvesse amanhã!

( Para ler ouvindo: Pais e Filhos - Legião Urbana )



Os dias tendem a ser ensolarados nessa época do ano, e o céu sem núvens costuma ser um presságio de coisas boas. Acontece que num ambiente com muitos adolescentes, intempestivos no furor da idade, nada é previsível. E chega a ser óbvio que a imprevisibilidade juvenil não tarda a render maus frutos. Comemora-se, o quê não vem ao caso, com muita música regada a cerveja e dança. Mas depois de um tempo o ar foi ficando rarefeito, quase sólido. Uma tensão desagradável começou a se apossar do lugar e a instabilidade dos ânimos gerou o primeiro surto, contido e calado com eficácia, surge outro, com algum tumulto e uma primeira troca de tapas. No terceiro surto, surge a personagem principal da nossa história dantesca, uma arma de calibre trinta e oito apontada, escalada frente a face de um adolescente de dezesseis anos.

Adolescente esse cujos os olhos castanhos apertados conseguem refletir perfeitamente o carinho que a narradora passional tem por ele, um sorriso cansado, porém sincero, que curva o canto dos lábios com exatidão mesmo quando tímido e um tom de voz doce, maleável. Ele é uma pessoa simples, ele não se apega a grandes vícios, apenas um que é seu calvário : mulheres. Todas, mesmo tendo uma. Ou todas, consegue despertar nelas ilusões com seus tolos galanteios, com seu carinho extremado e sua sensibilidade afetuosa. Algumas pessoas conseguem te fazer sorrir com um olhar, Paulo Henrique certamente é uma dessas pessoas.

A sensação de ver alguém amado frente a morte é como tentar respirar no vácuo. Você se sente inútil, invalido e por intantes inóspito, de ideias e limpo de ações. Meus pés aderiram ao chão, sei que uma GRANDE amiga minha e dele me tirou de lá, me puxou mas mesmo quando não corriamos mais eu ainda estava paralisada. O jeito como ele fechou os olhos e saiu cambaleando em círculos, balbuciando qualquer coisa que para mim não fez sentido algum, mertelou na minha cabeça por toda noite, faço uma previsão que talvez essa cena se repita ainda a vida inteira na minha mente, associada ao perigo, ao medo e ao topor de se sentir impotente diante da morte.

Justamente a morte que já me pareceu tão atraente, mas só quando se está frente a ela é possível notar quão ridícula é a idéia de fugir da vida.

Picolé de Chuchu ;

Fria e Indigesta !