27 de nov de 2009

Até onde vai ?

Mariana Ros, o maior exemplo de delicadeza que eu conheço. (:



Ser mulher num país machista e patriarcal é uma tarefa difícil, mas ser mulher num país que quer romper com o passado - e presente - machista e patriarcal é uma tarefa digna de " Mulher Maravilha " ! Suas referências familiares te dizem para agir como uma mocinha, para se comportar, para ser feminina, para não ser vulgar, para não falar com estranhos, para não agir como um garoto. Enquanto a mídia te diz que a banalização dos valores é absolutamente normal, que você deve agir de maneira promíscua, que casamentos são instituições falidas pautadas no interesse financeiro, que o estoicismo masculino é o " novo preto " * da estação.
Não, não sou machista, apoio a inserção da mulher no mercado de trabalho, apoio todo tipo de legitimidade de ser mulher, mas não concordo que " produção independente " e " sexo casual " sejam o caminho para isso.
Para estar inserida na sociedade a mulher não tem que abandonar o que culturalmente faz dela uma mulher, afinal a singularidade e a beleza da maternidade é que nos faz mulheres. Negar a condição de delicadeza, sensibilidade e sabedoria de uma mãe, é se negar mulher. Ninguém imagina a mãe como alguém promíscua e inescrupulosa, tanto que " hijo de puta " ainda é uma ofensa gravíssima. Não é ser frágil, não somos o sexo frágil, é ser mulher e agir como mulher, sentar de pernas cruzadas e fazer o trabalho de qualquer marmanjo.
Quem concorda com a mídia de massa que me perdoe, mas esse bombardeio de informação amoral só serve para incrementar projetos como bolsa família e fazer crescer o número de pedintes no nosso amado, idolatrado e subdesenvolvido país.




* Expressão relativa ao que está na moda, o que é básico.



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Em tempo, recomendo : She will be loved - Maroon 5.

25 de nov de 2009

Força, quando mete o pé na porta é com força.

Somos estimulados a perseguir durante toda a vida sonhos baseados numa cultura segregatória e de caráter opressivo . Casa própria, carro próprio, marido próprio, vida própria, seria hipocrisia dizer que não pretendo me adequar, que sou aficcionada pela marginalização social e que vou viver em prol de me excluir das propostas sociais, no entanto, seria estupidez ignorar a crueldade dessa orquestra desafinada.
Conversando com os adolescentes de 14 à 17 anos não é difícil entender porque é tão esperado o marco dos 18 anos. Ele simboliza a liberdade, bom, teoricamente.
A liberdade na nossa cultura também tem outros marcos, como a independência financeira e a aquisição da casa própria, mas a cada nova porção de liberdade surgem condições para nos manter dentro do arranjo social.
Mas nós estamos livres de que ? Grande coisa fazer 18 anos, mesmo que você saia de casa e pare de obedecer aos seus pais, obedecerá ao chefe, ou ao síndico do prédio, ou a qualquer entidade de maior influência.
Grande coisa ter sua própria casa, carro, estabilidade financeira, marido, filhos se a sua vida é medíocre e você deve satisfações a todos.
Por mais que você persiga a liberdade, você não vai encontrá-la no arranjo social, porque aqui, toda liberdade é condicionada.
Não, eu não sou anarquista, apesar de achar muito bonita a proposta de uma sociedade que é um organismo vivo e por isso se entende perfeitamente e não precisa de governos, nem alegorias de poder.
Mas o que eu não consigo assimilar é porque nós passamos a vida toda perseguindo a uma liberdade, que é completamente utópica e absurda - afinal uma liberdade permeada de condições não é uma liberdade, ou é ? - se a verdadeira liberdade está no pensamento, na expressão, na arte de existir e lidar com o cotidiano.

Não existe liberdade maior que viver.

Picolé de Chuchu ;

Fria e Indigesta !