28 de jun de 2010

Junho menino, Junino.

Hesitei, temi
E a despeito de tudo que sofri
Vendo você com outrem
Fui até você e sorri
Você sorriu também
Tremi, confesso
e mais uma vez,
de coração acelerado, peço
para ter em minhas mãos tua tez
mas o sonho se desfez
Acordei com um sorriso morno nos lábios,
dos seus lábios nos meus,
e amarguei a saudade
ouvindo na música típica dizer que era " mal da idade "
Pulei, sorrindo
As nossas fogueiras de vaidades
Dessa vez Antônio me ouviu!
Eu sentia que era verdade.


27 de jun de 2010

Corsário .

- Desculpa por ter sido uma péssima namorada, eu não sabia o que fazer, mas eu gostava de você de verdade.
- Desculpa por ter sido um péssimo namorado, mas eu precisava de um refúgio, eu me sentia sozinho, mas eu gostava de você, de verdade.
- Você não quer voltar a ser uma pessoa apaixonada ? - Uma pausa reflexiva
- Eu nunca deixei de ser uma pessoa apaixonada, acho. - Respondeu hesitante, sem olhá-lo nos olhos.
- Foi a pior coisa que você poderia ter me dito.
- Desculpa ...
- Você não merecia nada disso, nada daquilo.
Entrementes guardamos o " nada de mim, nada de nós "

Mesmo que eu mande em garrafas mensagens por todo mar, meu coração tropical partirá esse gelo e irá, como as garrafas de naufrago e as rosas partindo-a.


Para ler ouvindo Corsário ( do João Bosco ) com a interpretação de Elis Regina.

19 de jun de 2010

Remar.

-Não gosto mais de você, mamãe, eu vou fugir! - E saia pela porta levando só uma boneca, um pequeno coração rebentado de nãos sonoros da mãe e uma dose de dignidade ingênua .
-Vai, vai mesmo.
E eu fui.
Mas voltei.
Eu sempre volto, não sei exatamente porque isso acontece comigo, o fato é que eu não vou sem voltar, eu não sei fugir. Cachorro magro que sou, caio da mudança inúmeras vezes para me deparar com a absoluta verdade da fome- que é minha - dos meus donos.
E são tantos donos ! Pai, mãe, amigos, amores, amantes. E eu aqui me perguntando porque eu volto para eles o que tem de errado comigo que me faz querer esse carinho, esse amor, essa atenção que ou já não me pertence ( não é amiga ? não me amava ? não ), ou já tem novo lar ( não ia ser para sempre, você não prometeu que ia lutar ? Quem aqui é mais covarde ?), ou é um protecionismo exacerbado que me sufoca. E a lucidez da imperfeição faz-se clara, nítida e horrenda. Quero chorar, transformar em lágrima tudo que eu não sei dizer, mas eu não sei dizer nada, nem tenho nada a dizer. Eu estou errada, o barco afundou e eu não sei nadar.

Mas voltar sempre cansa,
voltar sempre,
cair de novo,
nova mudança.
Cansei dessa dança.





Para Laizza Pedroza .

11 de jun de 2010

Conversa de botas batidas

Vi solta por lá, bichinho pequeno, pedindo carinho e atenção. A tomei nos meus braços, fiz dela filha, irmã, amiga, fiz dela refúgio.
Me contaram que é quando os filhos entram na adolescência que tudo fica mais difícil, e foi. Foi na adolescência da nossa amizade que você ficou rebelde, sem causa, foi lá que você fez de mim mãe sozinha, protetora desgostosa e a cada nova topada sua meus argumentos se esvaiam, perguntei as outras mães o que fazer, como agir. Elas diziam num liberalismo infindo " Deixai fazer, deixai passar ", mas não passou, só fez.
E fez tanto que me cansou, desisti da maternidade, de você, pranteei seus vícios um a um, fugi, fugi do mundo me refugiei longe dos seus paradoxos, cansei de nutrir esse não-amor por você, filha.
Desculpa ter sido fraca, desculpa te largar quando você mais precisava de uma mãe, ou uma amiga, mas sou criança como você. Sou o que você vai ser quando você crescer, o que espero que seja logo.
Espero que você entenda que tudo que fiz foi por te amar demais e por não suportar, não saber lidar, com o que dia após dia, a cada nova expectativa frustrada, você se tornou. Quando você voltar para casa, quando cansar de fugir, mamãe ainda vai estar aqui, para contar histórias para você dormir tranqüila, para cantar para te mimar.

Mãe, amiga, irmã, com amor.

7 de jun de 2010

De Gilda para Gilda.

Carmim, chegou guardando sorrisos
Sorriu para aquele outrossim
Olhos enegrecidos, pele de marfim
Cruzou as pernas, olhou para o arlequim
Deu uma piscadela, sentenciou o fim .



Referências: MENDES, murilo Gilda - poesia
ABREU, caio fernando Os sapatinhos vermelhos - conto.

Picolé de Chuchu ;

Fria e Indigesta !