28 de fev de 2013

Puta que sou

Puta não é a que deita na cama, 
Puta é aquela que a mesa dispensa
Que a roda emudece, que é tão subversiva
Que em outros meios padece.
Puta trabalho de domingo a domingo
Puta é aquela que ganha mais que o seu amigo
E descompromissadamente trepa com ele na mesa
Onde as damas se comportam muitíssimo bem.
Puta é quem me pariu, quem te pariu
Quem tem força criativa, criatória
Quem luta e em gênero faz história
Puta é a mãe que a minha, amada
Puta sou eu, desbocada
Quando nenhuma mesa me aclama
Sou puta, berrando na mesa
Trepando na cama.

16 de fev de 2013

Vida é contágio. O oposto da vida não é a morte, porque a vida é longa e a morte é breve, mesmo quando repetitiva, cotidiana. A gente morre. Finda. Morre parceladamente 12x no cartão da loja. Morre de medo da morte. Do perigo. Da violência. Da solidão. Morre todo dia na estranheza. Estranheza do mundo. Do espelho. De nós no mundo. Nós em alguma sala de espelhos do mundo. De silêncios é que se morre mais. Está na moda morrer de impunidade. De acidente. De fatalidade. Morre também quem não ama. E quem ama também morre. Ou se mata. Morrer de amor não é difícil. Morre quem diz sim. E morre quem diz não. Não há nada puro nos poraís ou nos porões. Não há nada neutro. No sabão não. Nas pessoas não. Não há também nada neutro nos corações. Nas vozes não há nada neutro. Nem nas palavras. Tudo que existe é contaminado e contagioso. Impregnado de paixões e insucessos. De equívocos. De derrotas. De mortes. De amores. De lutas. De sonhos. De saudades. Tudo tudo tudo que um dia foi e que um dia será sem nunca ter deixado de SER.





Tudo que há É
Tudo que É e não Há
Tudo que É nada
Há contudo

Picolé de Chuchu ;

Fria e Indigesta !