23 de abr de 2011

Margaridas não tem espinhos, não.

Deixa disso e vem ser feliz comigo,vem pro seu lugar no mundo, esquece tudo e fica com o que te faz bem.Me escolhe,escolhe a tua paz,os nossos sonhos. Eu te amo,vida. Amo mais que qualquer outra coisa, e te quero, tanto tanto, você tem um efeito tão avassalador em mim. Ontem, só de estar perto assim, quando você fazia que ia me beijar e não beijava, só de sentir a sua respiração na minha, meu coração disparava, apertava, martelava, me lembrando o quanto, quanto meu corpo clama por você, te grita, te quer. Me lembrando o quanto estar contigo me faz bem, como eu fico feliz de ter sua mão na minha, como eu preciso sempre sentir seu toque. E se for pecado, se for errado, eu renuncio meu lugar no céu. Você é o meu céu, você é o meu paraíso.

Disparo contra o sol, sou forte,

Sou por acaso, minha metralhadora cheia de mágoas.

Gira, volta, dois passos pra esquerda, maneia cabeça, espalha os cabelos pelo ar. O ar quase sólido ao nosso redor fede a mágoa. Um olfato mais apurado apontaria umas notas de mentiras e outras notas de corpo de inveja.
Seu vestido não brilha mais, teria lhe dito se me perguntasse. O viço e a bondade nos seus olhos, eu também não vejo mais. Reclinou-se nos braços da outra dama, sorriu... Pra ninguém. Se me perguntasse eu lhe diria que as suas mentiras te assassinaram. Como não me perguntou nada, apenas aplaudi, sempre aplaudo.

19 de abr de 2011

Heart Shaped Glasses

O reflexo no espelho me enoja, os cortes, as marcas, as repugnantes marcas fundas, o inchaço, os arranhões. As grandes manchas de sangue que desnaturam meu rosto, a palidez, meu rosto tão partido quanto meu coração.  Tão partido quando aquele porta retrato.

Para ler sentindo.

Luz Negra

Trajava preto, não por hábito, por luto.
Os cabelos, já não tão curtos, a postura já não tão aviltante.
Andou, firme, entre os tantos que apinhavam o salão, entre o burburinho e os brindes, esbarrou num estranho-sem-rosto, mas não desculpou-se, seguiu. Prostrou-se frente ao bar, pediu um Whisky, duplo " muito gelo e dois dedos d'água ", aprendeu num filme. Ao fundo Maysa cantava. Se o meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar. O cheiro da bebida impregnou-lhe o corpo, sorriu. Uma lembrança invadiu-lhe, uma dessas tantas lembranças odiosas que insistiam em vir sempre, corroer-lhe. " Esse bailes são tão entediantes! " deslizou os dedos pelo balcão, o cheiro da bebida, misturado com a madeira excessivamente polida, trouxe um sorriso a tona. O reflexo no espelho, difuso entre as bebidas dispostas em prateleiras, as luzes amareladas do salão, toda aquela conversa-sorridente, o encarar dos olhos com o reflexo que era meu personagem, meu eu tão lírico, fez-me em abismo. " Não posso borrar minha macro-imagem, minha maquilagem ." " Mais um duplo, por favor " " Bebida forte, dona " " Espero fazer dela, minha " " Saúde, isso é bebida de macho, hein dona ? " " De repente é isso mesmo. " Engoliu tudo, de um só gole, arrumou o vestido, foi-se, estalando os saltos altíssimos pelo salão. Eu fiquei, ali, parada na porta, vendo Gilda tomar meu lugar.

1 de abr de 2011

Te valorizo.

Acordar cedinho e te ver, ali, imóvel, dormindo.Colocar no rádio o som daquela banda que você gosta, pra te ver acordar feliz. Ter o seu primeiro sorriso, o segundo e o último quando o dia se for. Poder tocar livremente cada pedacinho do seu, meu, corpo. Cuidar de você, te preparar um chá. Tocar seus cabelos, te contar um segredo, ou uma história, dormir de novo e acordar de novo. No seu abraço, sentir sua temperatura crua, no laço das suas pernas, no espelho de mim, que és. Mas é certo que de madrugada, enquanto me furto o sono pelo ávido desejo da presença, da lembrança, faz-se em verso a minha existência, lira pura nos teus lábios, que ao amanhecer sonolento se refaz em canto, no sono ou no momento insone embalado nos seus braços, a tarde chega, assim, e ainda está aqui o som das tuas risadas, me acompanhando, e sua voz que pela noite embala meu sono, meus sonhos, me puxa também pra realidade. Desligo o som do meu rádio, o silêncio me traga e me perco no tempo num texto qualquer, e pouso. Espero que entenda e volte pra cá.

Picolé de Chuchu ;

Fria e Indigesta !