27 de dez de 2011

De cima da pedra mais alta

Fiz, por acreditar, por ter vontade, fiz. E reafirmo o que fiz, faria novamente, igual ? Depende. Se eu fosse quem sou agora, não, certamente não, mas se eu fosse tal como fui, faria, de novo, mais quantas vezes fosse preciso. Hoje, faria melhor, faria antes, diria mais.
De cima da pedra mais alta, hoje, sei que fiz e fiz bem amor, história, filosofia, literatura, fiz laçoes, não nós porque ninguém precisa ficar se não quiser, pessoas passam e tem que passar, mas pessoas ficam e tem que ficar, mas só fica quem você quiser que fique, não porque você é mesquinha e sim por precisar de espaço na casa e no coração.
Laura me perguntou se eu acreditava no amor infinito, no para sempre, disse a ela que sim. Ela sorriu comigo e confessou sonhos antigos de ParaSempresInfinitos, concordei o que a gente ama vai para sempre conosco de muitas formas, mas o sempre humano é finito, é verdade.
Anita me mostrou os dentes, não a Anita de antes, a nova, a que abraça, Anita é uma menina de uns seis anos e alguns meses que corre pela praia chutando areia para cima e construindo castelos, muito intensa e inteligente, muito minha. Ela é filha de Laura, é minha filha também, de muitas formas.
Isabela me arrebatou, devo dizer, ela cresceu de maneiras imcompossíveis em mim, me lembrando sempre do nosso tão antigo bordão, me lembrando sempre de amanhecer brilhando mais forte, mais forte, mais eu. Continuo amando a Estrela, e a Amélie. São duas da mesma, a estrela é a que brilha na minha cama e a Amélie é a que brilha na minha briga, meu abrigo.
Por elas, as duas que uma só são, acredito no Infinto. " O Infinito é um dos Deuses mais lindos "
Laura disse da mágoa da Rosa para mim, Anita leva consigo as dores do mundo, Isabela tem força e graça, mas é Amié que me faz ter Fé e crer, Amié me faz precisar de cama e de colo, Amié me desampara, me faz mover-me em mim, mudar, crescer, Amié me empurra para frente e para mim.
As minhas de mim, as mulheres de mim que de formas e modos diferenciados fazem uma reafirmação do que vale a pena, do que acredito e de quem eu sou.
Derramam o leite bom na minha cara e o leite mau na cara dos caretas.

9 de dez de 2011

Água da minha sede, bebo na sua fonte.

 O gosto dos lábios, os grandes, os pequenos e aqueles que sorriem, que colados aos lábios meus, de sortidos tamanhos e cores, tem a mesma avidez. E embora com sofreguidão tenha me afastado dos lábios todos, beijo a saudade. Nem era pelo sexo que foi o sexo feito. Era pelo estar ali, por merecer aquele arroubo de intimidade e prazer, porque a gente nada nada nada e nada cinco dias na semana em buscas tão vãs quanto imediatas, mas é no seio nosso que amamentamos nossa sina, sina de si. Zona de conforto é o músculo que tremelica metido entre as pernas outras e ainda não. E ainda não é a comodidade da mentira, nem o conforto do inabitável - para além - nosso. E ainda não é nada disso que o beijo selou com gozo, e o gozo fincou-se em gosto.


         O amor não é da ordem das compreensões.

19 de nov de 2011

A parábola da menina feia

A menina não tinha nome, era " Ela " aos sussurros maldosos, " Ela" no escárnio dos sorrisos plásticos.
Ela era desgovernada, não bastasse o infortúnio da feiúra, não era aluna aplicada, não era sociável o suficiente para ser boba da corte, nem tinha um grande senso de humor. E embora demonstrasse grande domínio retórico, nunca era convidada para bate-papos informais, senão pelos outros que como Ela, eram os inapropriados para convívio. Eles eram também, a maior parte do tempo, seus amigos.
Ela passou pelo ensino fundamental, aos trancos e barrancos, no ensino médio continuou medíocre.
Desgovernada, inconstante, mas tinha talento diziam, para bajular aos outros, a fizeram de macaco de auditório. Ela, tomada pelo arroubo de ter encontrado seu lugar, foi lá, fez o que lhe pediram, e fez além. Mostrou seu potencial, disse-lhes de contos e histórias que não conheciam. E ainda que não esperassem, Ela, a menina feia, desgovernada, imoral e inconstante foi amada, e aplaudida, Alguém amou Ela, mesmo feia, e Alguém deu para Ela um coração em Sol. Então Alguém deu a mão para Ela, e Ela se viu capaz de voar.
E voou, um longo e cansativo vôo, desses que passarinhos de bico curto e asas breves não se arriscam voar. E achou um novo lugar para si. E se apossou desse lugar. Lá Ela não era Ela, lá era Eu e lá Alguém era Estrela, Luz, Nós. 
 Lá não existiam artifícios, mas existia a mim, de cima da pedra mais alta, do topo mais alto do mundo. Eu, que era feia e condenada pelo que nunca dependeu de mim, Eu que superei expectativas, até as minhas, Eu que sou o mundo de Nós.

29 de out de 2011

Primavera nos dentes

Seu sorriso me provoca,
O que nunca antes sucedeu,
                                 [ Só de lembrar do seu risinho,
                                    o mundo inteiro amanheceu.]
Posso até pedir que fique mais um poquinho,
Mas você é feito bichinho,
                                 [Arredio, que foge pé-ante-pé,
                                                           devagarzinho]

E eu fico com o amor estampado na cara 
Que poesia quando dá no mundo é rara,
E nem todo mundo pode ver.
Mas, quem ler esse poema bobinho,
E entender só um pouquinho
Como o amor cresce e floresce rapidinho,
Entenderá a verdade sobre a primavera,
Que se espalha e toma todos os dentes.

19 de out de 2011

Sou sua mulher.

Se todo dia abro os olhos e pergunto pro tempo " Até quando? ", e ele me reponde " Acalma-te, criança " sei, e simplesmente sei, pelo Tempo que devo ser paciente, e então quando estou contigo e revelo toda minha paciência e falo pro Tempo " Acalma-te, criança ", e ele feito menino bobo sai esbaforido e me berra de volta " Até quando ? ". 
E então, mesmo que o tempo brinque de cirandas, ainda nos divertimos as custas dele, e ele não nos furta a ternura. Não nos falta compreensão, seu Tempo.
Se todo dia me pergunto se te amo e quanto, e sei pelo não não te amar e nada, que te amo infinitamente. Ou seja, se sei que te amo por contraste racional, por medo de perder todos os dias - quando eu estou longe de voce - são nos dias em que estou contigo que sei que te amo pelo não saber. Sei quase que intuitivamente, pelo deslizar e mãos, pelo beijo enternurado, pela paixão, pelo resgate dos sentimentos primórdios que nos trouxeram até aqui, e mesmo nos dias mais lascivos, pelo meu sexo que é todo coração e pulsa pela sua simples presença.
E então, mesmo que nesta ciranda do tempo nos falte abrigo, ainda poderemos recorrer a nós. E isso é muito mais do que o Tempo sonhou um dia em ter, e nem mesmo ele é capaz de furtar. 

15 de out de 2011

Imperfeição

Não quisera ser tão misógino, mas por interesses maiores o destino apalpou-lhe os cabelos e interessou-se por ele. Dissertaras sobre o universo, sobre as coisas em que confiava e nas quais acreditava. Esqueceu-se apenas de ser compreensivo e piedoso com o mal. E é esta bondade que lhe cerca as narinas ? Cadê o olfato cheio de suficiência de palavras sonorizadas gramaticalmente corretas e semblantes sobrepostos a oscilações ora rígidas e ora benevolamente simples? 
 Sobre estes passos o julgar do pensamento alheio sobrecai sobre tu, sim. Que esqueceu-se da manhã ensolarada para condenar a noite fria. Não defendo o erro, protesto o julgamento. O seu vácuo não existe por minha culpa. Nem ao menos cheguei ao presponto de perfeição que tentara-lhe muitas vezes, E a credulidade com a qual sempre te vejo aproximar-se, cheio de armas preparadas e postas a fogo, me lembra muitas vezes daquele pressentimento bem apertado ao braço chamado Estrela de Davi. Esquecerei apenas de que a você tudo pertence, no momento em que julga-se tão sóbrio. 
         Obrigada pela indigestão, é frio o não entender.
Rafael Sady.

Sabe, senhora, foi sobre mim. Mas bem que poderia ter sido sobre você.


11 de out de 2011

II

Bosque solidão, qualquer dia de Outubro.


Amie,


A primeira vez que gostei de você, porque de diversas formas já gostei de você muitas vezes antes de te amar, foi quando estávamos sentadas no meio do mundo inteiro, num momento, e eu te segredei toda dor. Você ouviu, atenciosa, crédula, ouviu e não disse nada sobre o que eu te falava, mas perguntou sobre a guerra. Você quis saber de que lado eu estaria, quando a guerra estivesse.
Honestamente disse que estaria do meu próprio lado. Mas você sabia, assim como eu, que desde então eu já estava do seu lado, ao seu lado. Em parte porque sua ausência me angustiava, e por isso vivia te buscando, como confidente e amiga, numa tentativa de que os laços de confiança te prendessem a mim. 
A primeira vez que te odiei aconteceu mesmo antes de gostar de você, quiçá de conhecê-la. Foi quando, na frente de todos, você riu de mim.E eu te flagrei rindo, e te odiei, porque você - como muitos também riram - me fez sentir pequena e desprotegida, tal como realmente era. 
Você feriu minha casca, e então onde eu me esconderia ? 
Eu me escondi em você. 
Ainda me escondo, ainda sou pequena e desprotegida só. Mas contigo não. 
Contigo eu sou o que você vê, e você vê força, coragem, beleza, volúpia, você vê o que ninguém mais vê. E me segura nessa visão, me captura. Acho que por isso tenho tanta fé em você: ninguém nunca me deixou entrar, ninguém nunca me protegeu - inclusive de mim - ninguém nunca me saciou. 
Você me liberta e me rende.
Me liberta porque deixa que meu Bluebird* saia de mim e viva sua plenitude e liberdade. E me rende porque ele só passeia sob o seu olhar atento. 
Funciona para nós. 
Tem funcionado há um ano, um mês e cinco dias.
O amor certamente não é vermelho como dizem os anúncios do dia dos namorados. E nem é tranquilo e cristalino como em " Monte Castelo " o amor é roxo, talvez vinho. Porque é conturbado, paradoxal, bonito, hipnotizante, turbulento e desejoso, viciante, sensual - e novamente paradoxal - mas certamente não é cristalino, porque é humano. 
E não é perfeito. 
Ainda bem, esse lance de perfeição nunca foi para o meu bico.

                                                                    Amor extremado, entre outros sentimentos tão ou mais bonitos.

21 de ago de 2011

Dos eventos do prazer

Incrível como os olhos se entregam fácil, acomodando-se à falta de luz. O resto do corpo, porém, não. O resto do corpo é luta feroz, a fim de qualquer migalha de claridade ou lógica. Rumina, resiste, se desprega da alma. Tem vida própria, arrepios corrente, tempestade.     - Álex Leilla











Gozar do canto,
do sorriso feito manto,
que entorna o caldo pronto
faz sentir, feito lamento, derramar
pleno o tormento: ápice do prazer.

O gozo.

Se apropria do momento e faz firme
feito hora : estranho e lento, em cio
juramento, prece, verso, ceia
e por fim o acalanto
do corpo cru

                                                                                                                                                 E ponto.











4 de ago de 2011

InPerfeita

Crianças tendem a ser muito perversas.

Tinha medo de crianças, quando havia tempo de. Fazia firula para as demais, dava docinhos, fazia as minhas atividades e das minhas colegas, para não ser deixada no canto da sala porque era feia.
Era dessas tipas amareladas, de cabelos metidos em tranças, sapatos pretos de verniz, cabeçudota. Não era bonita de olhar, meus hábitos escusos - comer meleca, preguiça de banho, ranha interminável - não me ajudavam a me enturmar, falavam comigo pelos doces, mas ainda assim me puxavam as tranças.
Só havia uma menina entre todas a que eu podia apontar, a única que fazia de mim superior na cadeia-alimentar-da-sala-de-aula-númerocentoetrês, o nome dela era ( ou é, não sei, faz tanto tanto tempo ) Luzia.
Luzia era pretinha, como diziam minhas colegas, como minha irmã - eu pensava em segredo - e ser pretinho era mau naquela escola, naquele lugar, naquele mundos, naqueles pais daquelas crianças - e digo neles porque se é criança tudo se perdoa, irônico não ? - ser pretinho era como ser sujo, detentor da mais inlavável sujeira, a de ser diferente. Na sala não me atrevia a dirigir o olhar para ela, tinha medo que soubessem que éramos secretamente amigas e então me tratassem mal. Não via sujeira nela, apesar de. Via a boa amiga, e seus cabelos feito manta de lã trançados com esmero, a pele aveludada e aqueles grandes olhos  pretos, tão pretos que pareciam de verniz.
Dia da roda de leitura era aquela lambança alegre e multi-colorida, leões, tatus, fábulas, contos de fadas, de moças, de princesas, de bruxas, todo o imaginário infantil ali pertinho, quase sólido na leitura dos seus criadores - criar é meio isso, né ? Desentender-se do real, brincar de Deus, ou de Big Bang, e dar voz ao que estava calado em si - Luzia estava mais calada que o normal, quis ir até lá e dar-lhe a mão, dizer que estava tudo bem e que brincaríamos de bonecas horas a fio por toda a tarde, contive meu impulso e tamborilando os dedos na cadeirinha amarela, encarava dispersa o semi-arredondado-quadrado. Luzia andou até o quadro, nesse interim e escreveu com letras bem grandes ( para uma garotinha de 8 anos ): INPERFEITA. 
Primeiro a sabe-tudo segredou para a menina do seu lado e então abafou o riso, crianças tendem a ser perversas. Logo começou um burburinho, e então o burburinho antes pequeno foi tomando forma e virou uma feia canção em uníssono. A professorinha, aflita e desgostosa pedia - em vão - o silêncio e a atenção dos demais.
Quando instalou-se o silêncio temeroso, depois de muitíssimas ameaças, Luzia começou a ler, ali, de pé, com lágrimas nos olhos, e os pequenos e frágei braços tremelicando:

Descobrir pra dentro é caminho pra Deus, descobrir o perdoar é caminho para Deus, se eu perdoar a mim por incomodar-vos estarei com Deus. E eu me perdôo, todos os dias por ser assim. IN-Perfeita. Que é perfeita para dentro, e para dentro de mim só Deus. Porque eu já me descobri.


...
























Qualquer verossimilhança, é apenas isso.


Dedicado à Alexandre Bittencourt.

3 de ago de 2011

I

Bosque do Anjo Solidão, Agosto de um ano qualquer.

Amie,

 Te olhava de longe, Améllie, naquele lugar que me puxava todo o tempo para a realidade, bonita, simples e verde. Mas, como quem não gosta do cheiro que sente, franzia o nariz para a sua arrogância, também para a realidade, Améllie. Nunca fui grande fã dela, você já sabia. E você... Você me inspirava realidade, com todos aqueles questionamentos. Você não respeitava a minha lira e eu pensava, " O demônio é falacioso, Gilda, ela sabe. ", e me incomodava que soubesses das minhas fa...lácias, faltas, fantoches. Me incomodava o seu olhar, Amie, me incomodava que soubesse o que o meu guardava.
 Quando tocou meu rosto, naquele dia gelado, e me falou sabiamente " Mentirosa ", metade de mim sumiu em Dó, a outra metade murchou em Si. Fui revelada, pelos olhos da menina-do-castelo-falido, como deixei isso acontecer ? Te sorri, mesmo mortificada em dor, e peguei sua mão.
- Vamos Dançar!

- Eu não danço, Gilda. - Toquei suas mãos com cuidado, ninguém nunca tinha te tocado assim, eu sabia, e te ofertei meu sorriso mais vermelho. Você ruborizou.
- Dança comigo, eu posso mesmo dançar sozinha, muitas vezes já dancei, mas agora que sabe que minto, não preciso mais mentir, já está tudo acabado mesmo, Amie. Vamos dançar em cima dos cacos da minha máscara. 
- Meninas não podem dançar entre si, Gilda, não seja tola.- Te trouxe mais para perto, penso que foi o tom vacilante da sua voz, meio desejoso daquela dança, que me instigou. 
- Quem disse isso, não sabe de nada, Améllie. 
Lembra ? Lembra, caríssima, de como você sorria, dançando elegantemente aquela valsa - que só nós éramos capazes de ouvir - lembra de como a sua silhueta, as suas roupas, a sua ausência de verdades de aluguel contrastavam como toda a minha indumentária alegórica ?  Sorri, não de desespero, não dessa vez. Você me disse depois, e eu acreditei. Porquê era preciso acreditar, e eu queria.
Por isso também, fiquei nua, à meia luz, num motel barato, dramaticamente deitada, na sua frente, nua em pêlo, exceto pelo batom, esse quem tirou foi você.

                                                Diga que você me quer, porquê eu te quero também.
                                                                                                                                     Gilda.

13 de jul de 2011

Quando se aprende a amar o mundo passa a ser seu.

Me debrucei novamente sobre a mesa e tentei escrever sobre a crise na Grécia, ou sobre a importância de estudar Marx, ou ainda sobre as teorias de conspirações modernas. Tentei fazer uma resenha sobre o filme que vi ontem no cinema, tentei fazer mais um artigo de opinião que chafurdasse no âmbito social. Mas cada vez que eu toco esse lápis, cada vez que o seguro entre os dedos, daquele jeito torto e feio que você conhece também, é apenas o seu nome que escrevo, e as mesmas histórias piegas e todo esse blablabla apaixonado.
Todas as cartas de amor são ridículas! Penso por um momento. Penso também que devo estar me tornando repetitiva e obtusa - como você gosta dessa palavra - e que isso deve soar tão chato e fake.
Tanto já mudou desde o dia 6, concluo. Foi há pouco menos que um ano atrás, e você permanece aqui invadindo meus pensamentos, desviando o foco de todo o mais. Quem define o limiar entre romance sadio e romance obsessivo compulsivo ? Como saber quando se passa do ponto, quando já não se pode mais questionar o avassalador que adjetiva todo e qualquer sentimento que se apresenta junto a ti ? Intenso.
Mas você e eu podemos namorar, e era simples. Ficamos fortes. Quando se aprende a amar o mundo passa a ser seu.
Podia ser só um bom sexo, ou ainda só um bom papo, só uma boa companhia em domingos chuvosos, mas nunca fomos realmente boas em nada " só ", sempre foi um bom sexo precedido de um bom papo no aconchego de um domingo chuvoso.
Podíamos buscar sentido em tudo, mas decidimos que foi o destino, ou aquele sorriso na aula de Biologia, talvez ainda tivesse sido o cheiro na pele, aquele que te agradava.
E agora eu me pego mais uma vez falando sobre como eu me lembro de te ver sorrir, no escuro do cinema, primeiro tímida, depois nervosa, e então você puxou a minha mão para junto do seu peito, me mostrou o pulso, me entregou a senha, a verdade, e por isso um útimo segundo eu vacilei. Foi uma equação rápida, nunca fui boa em matemática, mas fiz o cálculo direitinho: x + y = 0, isola y,  x + x = 1. Me apaixonei por você ali, naquelas batidas ansiosas do teu coração.
E não me arrependo nem por um segundo sequer.

2 de jun de 2011

All I need

Um, dois, três, quatro sonhos.
Muitos planos, pano nenhum,
Só corpos mundanos
Insaciáveis.

Lascívia a fora, cama a dentro,
No ventre o cheiro cerne
Na mão a taça carne

24 de mai de 2011

Ao mar, amar. Amor...

Sim. Repeti frente a imensidão fria e silenciosa do mar. Sim.
Começou numa manhã de sexta-feira nublada, condições atípicas para começar um romance. Começou com uma troca de olhares, e medo, e uma mensagem no celular, começou impessoal. Começou numa sexta-feira poucas horas antes de uma viagem importante, numa noite fria e adornada. Diga que você me quer, porque eu te quero também. Começou com um abraço, com um carinho, começou com a sua cabeça pousada no meu ombro, e seus lábios perto, não o bastante.
Mergulhei. Mergulhei num paradoxo. Mergulhei numa superfície gelada para me deparar com um fundo quente, escaldante. Mergulhei para me saber pertencente ao mar. Submergi.

20 de mai de 2011

Existe razão na loucura,

Frente ao mistério do eu,
Do ego, do self, concretizo
Incertezas lúcidas
De um porém humano:
Somos todos iguais
Nas medidas das nossas
[in]Diferenças.
Somos todos reais,
na medida das nossas crenças.
Somos todos banais,
Veja só como a maioria pensa.
Somos todos e todos mais.
E só isso é que conpensa.



Existe loucura na razão.

23 de abr de 2011

Margaridas não tem espinhos, não.

Deixa disso e vem ser feliz comigo,vem pro seu lugar no mundo, esquece tudo e fica com o que te faz bem.Me escolhe,escolhe a tua paz,os nossos sonhos. Eu te amo,vida. Amo mais que qualquer outra coisa, e te quero, tanto tanto, você tem um efeito tão avassalador em mim. Ontem, só de estar perto assim, quando você fazia que ia me beijar e não beijava, só de sentir a sua respiração na minha, meu coração disparava, apertava, martelava, me lembrando o quanto, quanto meu corpo clama por você, te grita, te quer. Me lembrando o quanto estar contigo me faz bem, como eu fico feliz de ter sua mão na minha, como eu preciso sempre sentir seu toque. E se for pecado, se for errado, eu renuncio meu lugar no céu. Você é o meu céu, você é o meu paraíso.

Disparo contra o sol, sou forte,

Sou por acaso, minha metralhadora cheia de mágoas.

Gira, volta, dois passos pra esquerda, maneia cabeça, espalha os cabelos pelo ar. O ar quase sólido ao nosso redor fede a mágoa. Um olfato mais apurado apontaria umas notas de mentiras e outras notas de corpo de inveja.
Seu vestido não brilha mais, teria lhe dito se me perguntasse. O viço e a bondade nos seus olhos, eu também não vejo mais. Reclinou-se nos braços da outra dama, sorriu... Pra ninguém. Se me perguntasse eu lhe diria que as suas mentiras te assassinaram. Como não me perguntou nada, apenas aplaudi, sempre aplaudo.

19 de abr de 2011

Heart Shaped Glasses

O reflexo no espelho me enoja, os cortes, as marcas, as repugnantes marcas fundas, o inchaço, os arranhões. As grandes manchas de sangue que desnaturam meu rosto, a palidez, meu rosto tão partido quanto meu coração.  Tão partido quando aquele porta retrato.

Para ler sentindo.

Luz Negra

Trajava preto, não por hábito, por luto.
Os cabelos, já não tão curtos, a postura já não tão aviltante.
Andou, firme, entre os tantos que apinhavam o salão, entre o burburinho e os brindes, esbarrou num estranho-sem-rosto, mas não desculpou-se, seguiu. Prostrou-se frente ao bar, pediu um Whisky, duplo " muito gelo e dois dedos d'água ", aprendeu num filme. Ao fundo Maysa cantava. Se o meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar. O cheiro da bebida impregnou-lhe o corpo, sorriu. Uma lembrança invadiu-lhe, uma dessas tantas lembranças odiosas que insistiam em vir sempre, corroer-lhe. " Esse bailes são tão entediantes! " deslizou os dedos pelo balcão, o cheiro da bebida, misturado com a madeira excessivamente polida, trouxe um sorriso a tona. O reflexo no espelho, difuso entre as bebidas dispostas em prateleiras, as luzes amareladas do salão, toda aquela conversa-sorridente, o encarar dos olhos com o reflexo que era meu personagem, meu eu tão lírico, fez-me em abismo. " Não posso borrar minha macro-imagem, minha maquilagem ." " Mais um duplo, por favor " " Bebida forte, dona " " Espero fazer dela, minha " " Saúde, isso é bebida de macho, hein dona ? " " De repente é isso mesmo. " Engoliu tudo, de um só gole, arrumou o vestido, foi-se, estalando os saltos altíssimos pelo salão. Eu fiquei, ali, parada na porta, vendo Gilda tomar meu lugar.

1 de abr de 2011

Te valorizo.

Acordar cedinho e te ver, ali, imóvel, dormindo.Colocar no rádio o som daquela banda que você gosta, pra te ver acordar feliz. Ter o seu primeiro sorriso, o segundo e o último quando o dia se for. Poder tocar livremente cada pedacinho do seu, meu, corpo. Cuidar de você, te preparar um chá. Tocar seus cabelos, te contar um segredo, ou uma história, dormir de novo e acordar de novo. No seu abraço, sentir sua temperatura crua, no laço das suas pernas, no espelho de mim, que és. Mas é certo que de madrugada, enquanto me furto o sono pelo ávido desejo da presença, da lembrança, faz-se em verso a minha existência, lira pura nos teus lábios, que ao amanhecer sonolento se refaz em canto, no sono ou no momento insone embalado nos seus braços, a tarde chega, assim, e ainda está aqui o som das tuas risadas, me acompanhando, e sua voz que pela noite embala meu sono, meus sonhos, me puxa também pra realidade. Desligo o som do meu rádio, o silêncio me traga e me perco no tempo num texto qualquer, e pouso. Espero que entenda e volte pra cá.

21 de fev de 2011

Camarada d'água.

Peixinho dourado na história
Peixinho dourado que outrora
Guardava as noites da criança
Ninava sonhos, recriando aventuras
Hoje acalenta a lembrança.
Peixinhos outros aguardam 
De braços abertos n'água clara,
Mar-drugada a dentro, mar a fora.
Nessa fauna e nessa Flora, 
Hora essa, [ ESTRELA ] ilimitada!
Pela hora da história que um dia 
Nos foi contada
Pela boca do primeiro amor fatal, 
Hoje desliza as barbatanas, foge a milhas planas
Da rede
Que mede
O tempo
Da vida
No mar
E impede
Que prospere
ESPERE!
Nós não vamos temer
Não vamos parar de Nadar
Haja o que houver, e há!
AR, que me Bastos ao respirar.





Para ler ouvindo : Camarada D'água - O teatro mágico.

11 de fev de 2011

Com o perdão do 36.

Rompendo os estigmas que seguem, uso rosa.
Falo baixo e com decoro, não é difícil me ver chorosa.
Para além da hipocrisia que o pejorativo nome dá,
Busque numa sandália minha qualquer:
A resposta e encontrará.
Não importa se eu gosto de mulher,
O que importa é o que eu gosto de calçar.
E pra calçar com muito orgulho,
Um scarpin ou sapatilha,
É preciso delicadeza,
Ter pé de princesa
E um bocadinho de costume
Para o equilíbrio não perder.
Como nunca caí do salto, não preciso me enfurecer.
Sou bem resolvida da vida, e quero o que posso querer.
Com o perdão do 36, eu digo agora pra vocês:
Não é papo de sapatão,
É papo de baby pé.



Créditos ao anônimo que me chamou de sapatão. Muito obrigada, anônimo, eu estava mesmo buscando inspiração. ;* ( Com rima pra ver se você assimila ) Para os curiosos é no post daqui de baixo, o comentário. Además, se você me ler, seu anônimo, pode vim com a sua brutalidade e patifaria, eu não agrido ninguém, sou da paz. Hoje eu vou orar por você.

Pra ler ouvindo  ( Meninos e meninas - Legião. ) 

23 de jan de 2011

Que enfeite e caiba todo o amor do mundo, a nosso dispor.

Vejo em sua face mil encantos
Para cada encanto, um amor
Para cada amor um pranto,
Para cada pranto um medo. 

Pelo medo desfeito um sorriso,
Pelo pranto em canto uma palavra
Feito o canto que teu amor desbrava
Dos lábios meus, que é só contentamento.

E quando fecho os olhos é que te encontro,
Vestida em sonho ou devaneios
Que me servem ao contro.

E pelos caminhos do reencontro,
Grande jarro que o amor recria,
Te convido a ser par, te convido a ser minha.




CONTRO - Voz de comando dada ao homem do leme para pôr o leme de encontro, isto é, a sotavento, para a embarcação arribar

Picolé de Chuchu ;

Fria e Indigesta !