30 de mai de 2010

Procura-se .

Sorriu, tinha um cigarro pela metade metido pelos beiços obscenamente vermelhos. Trajava preto, o que a deixava ainda mais pálida, tinha os cabelos em cachos, parecia saída de um folhetim antiquado naquele lugar, com todas aquelas meninas padronizadas.
Tinha uma certa fragilidade que a envolvia e me fazia querer sorrir de volta para ela, mesmo odiando cigarro. Acenei, então, assim, como um desinteressado qualquer, ou como todos os desinteressados que notoriamente estavam interessados nela.
Mas, foi para mim que ela sorriu de volta, era para mim aquele maneio de cabeça sutil, e aqueles dedos frágeis que diziam "vem" com um movimento despojado. Levei um tempo para assimilar aquela mensagem, mas fui, fui e não voltei ainda. Já fazem 2 anos e eu continuo lá. Todas as noites de sábado, no mesmo horário, esperando-a, esperando o fim da nossa história.
E nenhum dia nesses 2 anos, nem mesmo no dia da morte de minha mãe, esqueci o calor dos teus braços. Não esqueci a delicadeza com a qual se curvava para mim e falava assim baixinho, com voz de menina que não condizia com sua aparência : " Você vem sempre aqui aos sábados né ? " .

Sim, eu venho sempre aos sábados.

2 comentários:

  1. Dos textos que li atualmente, esse com certeza é o mais foda. Ver você amadurecendo tão rápido me deixa orgulhoso. Fico feliz por ser seu amigo. Obrigado, Nan. De verdade, obrigado.

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Picolé de Chuchu ;

Fria e Indigesta !