1 de fev de 2010

Purificação.

A coisa mais certa de todas as coisas certas que meu pai já me disse foi : Não faça uma mala que você não consiga carregar.
Tudo começa e termina nessa frase.
Certa feita um rapaz que era a pessoa mais doce que eu já conheci, que me ensinou que todos devem se amar, que me amou, ou ao menos fingiu bem, apareceu na minha vida, e após um ano e meio de insistência, começamos a namorar.
Mas nem todo mundo sabe lidar com a verdade, e ele não soube lidar com a verdade sobre mim, nem eu soube aceitar as traições dele. Porque eu não sei com vocês, mas comigo quando eu amo aquela pessoa é suficiente, quando eu desejo eu desejo de corpo todo, e assim, eu terminei com ele por uma nova experiência, eu fui imatura e falei a verdade.
Algum tempo depois voltei a ficar com esse rapaz, que já não era mais uma seda, ele era um total desconhecido, mas eu ainda queria ele para mim, erros acontecem não é mesmo ? Ele havia se tornado um poço de mágoas, alguém frio e cada vez mais ele se afundava nas próprias frustrações . E eu continuava enchendo a minha malinha de esperanças cheias de avarias, de sonhos e expectativas. E pela terceira vez eu encontrei com esse rapaz.
E ele já não era uma seda, e os sonhos dentro da minha mala rosa já não eram sobre ele.
E nem eu era mais a mesma, eu era uma mulher e ele um garotinho cheio de medos e mágoas, um garotinho com medo de assumir os riscos e como qualquer outro garotinho ele não aceitou meu "ponto final" de bom grado, mas diferente dos garotos normais, ao invés de se jogar no chão e chorar, ele decidiu que eu merecia uma dose maior de desilusão. E ele com grande maestria - ou não - enfiou um punhal no meu peito.
A apunhalada foi seríssima, fiquei desde então incapacitada de carregar minha malinha, que ficou no chão enquanto meus anjos da guarda tentavam me reanimar, acabou sendo pisoteada pelo garotinho fazendo com que todo o seu conteúdo se espalhasse pelo chão e se perdesse na multidão de pés que era tudo que eu via.
Meus anjos conseguiram me levantar, e aqui vivo eu mais uma vez sem sonhos, sem ilusões, sem mala. E o menino que um dia eu amei com tanta força não sobreviveu, morreu em meus olhos, morreu aos olhos de seu anjo, morreu ali, naquela praça cheia de gente, sonhos, esperanças e sorrisos.
Eu certamente sentirei sua falta, menino que sorria com os olhos, menino que sorria com a alma.
Mas nada vai me fazer mais falta que a mala rosa que foi embora junto com a sua vida.



In memorian do amor que tive.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Picolé de Chuchu ;

Fria e Indigesta !