15 de ago de 2010

Genericamente falando.

Desde o movimento feminista no Brasil, ou melhor, desde que ele teve voz ativa, implantou-se na sociedade patriarcal brasileira ( bem como, suponho, ter acontecido em outras sociedades patriarcais ao passarem pelo mesmo movimento ) uma nova entidade, um novo tipo de " homem moderno " com um novo ponto de vista sobre a mulher .
Esse " homem moderno " aprendeu tudo a risca com o papai, e quer que sua esposa seja uma mulher moderna, também . Só que ser moderna do ponto de vista desse especime masculino é ser uma workaholic de dia - o que é bom para as despesas familiares - e uma Amélia de noite e aos fins de semana. E a jornada dupla, vira tripla, e quando os bebês chegam não é mais uma jornada numérica é uma jornada de infindáveis frustrações. Isso porque o lar e sua sanidade/integridade depende de nós, e então nos vemos enredadas numa questão de gênero, que genericamente falando é um conflito de interesses socio-culturais de uma sociedade provinciana de valores deturpados .
A questão começa a ser implantada na infância, certa feita falei que gostaria de ser mãe solteira numa reunião de família e vi - sem entender - algumas taças caírem de mãos sobressaltadas, hoje vejo tudo com pesar.
O mesmo pesar com o qual encaro que na minha idade - Dezoito anos, sim senhor - existem meninas que falam em pegar diploma para ser dondoca, sim, e outras que falam em casar cedo, outras muitas que se vulgarizam pensando estar protestando contra algo que sequer compreendem e mais algumas que tem medo de falar, porque mulher que fala é mal vista, é extravagante e logo recebe uma pecha que denigre sua imagem pública.
E quando eu me pergunto onde isso tem suas raízes e porque eu sou " diferente ", todas as respostas levam a educação. Uma educação diferenciada, me fez uma mente diferenciada, uma vez que não foram repassados para mim valores de uma conjuntura moral falida dentro de seus próprios dogmas.
Agora eu pergunto a vocês, e quem é favorecido com essa depredação moral ? Porque uma vez reprimidas as mulheres com voz ativa e continuada a cultura das " Raimundas " ( As quais eu diria ser: feias de mente e bonitas de bunda, pernas, olhos, cabelo e todo o resto - que realmente não importa se não for acompanhado de sapiência. ), nós temos um empobrecimento de todas as camadas da sociedade, porque, as Raimundas também serão mães. E nós não precisamos citar exemplos, todo mundo conhece crianças vulgarizadas desde cedo. Essas serão mães também .
Olha, dona sociedade. Há que se cuidar do grão, porque frutos podres são irreversíveis, grãos podem ser tratados.

Um comentário:

  1. O problema do Brasil é educação. Em todos os aspectos, e você citou um que nem parece fazer parte desse contexto - para quem não tem olhar crítico.

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Picolé de Chuchu ;

Fria e Indigesta !