2 de out de 2014

Baculejo

A morte espreita na quebrada
Vem marchando ensaiada
Sob a pisa dos gambé.
Vem de coturno, maltratada
Mal paga, esfarrapada, 
Muito dente, pouco pé, 

Feito cachorro raivoso. 
metido num balé doloso
Dança com os moleques pretos
A valsa morte de todos os guetos
E não há grito de dor algum
Ou fuga
Tudo é lugar comum
O cotidiano refuga 
A democracia deliberada

Olha aí o meu guri
Mais um guri morto na vala
Mais um guri de que não se fala
A quem não se anuncia
Um guri cuja a sentença vida
Está nas mãos de quem policia. 

A morte espreita na quebrada, chega de viatura 
Vem calada. 
A morte espreita na quebrada 
E depois dela o nada. 
.

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