23 de fev de 2012

Minha briga, meu abrigo

Moro numa voz, num cheiro, meu céu tem duas luas crescentes que reverberam no seu rosto e orbitam surpresa e contentamento, dois sóis castanhos, tenho. Tenho um luxuoso terreno fértil, onde planto meus sonhos e lábios, seus cabelos me enredam e me afogam, no seu rio ondulado, seus leites me alimentam e em cóleras fico se me afasto do seu manto. Seus dentes que me mordem, me abraçam apertados quando me despeço, em estranhos laços se movem suas pernas quando me refaço, me movem seus passos, quando sorrio e espia-me com sóis em brasa. Moro num pensamento colorido, bordado em fios de ouro. Moro no amor grandão, nosso terreno de incompreensões, moro no nosso colorido jardim de margaridas, plena em vaidade dessa morada minha, que habito, vívida, mulher.Moro nessas lembranças aconchegantes dos seus braços, e nos muitos preguiçosos domingos do amor, mora nas segundas, e nas ansiadas sextas, mas sem dúvida nos inúmeros sábados. Moro nesse sentimento completo, confuso e inominável que chamamos Amor, moro-te, Amada minha.

2 comentários:

  1. Escrever é magico, há tantas maneiras de usar as palavras. Me agrado muito em ver coisas novas.E quanto mais leio mais diverso fica o mundo que "moro". Gostei! Realmente gostei do texto.


    até

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Picolé de Chuchu ;

Fria e Indigesta !