26 de set. de 2024

Já senti saudade, já fiz muita coisa errada,

 Já pedi ajuda, já dormi na rua, mas lendo atingi o bom senso...


Boa tarde doutor, sou eu de novo, fumando um cigarro atrás do outro. Quantos? Um maço. São quantos cigarros um maço? 20 doutor. Por dia? Isso, por dia, entendo sua dificuldade, nunca sei contar semanas de gestação, muito mais fácil contar em meses, não sei como inventaram essa sacralidade na gestação, até data é diferente. Você sempre foi sarcástica assim? Sim, desde criança. É uma defesa? Não, é uma forma de existir sem ceder ao maniqueísmo cristão. Entendo...Entende mesmo? Remédios podem te ajudar a dormir melhor. Certo, eu preciso mesmo dormir melhor para trabalhar mais. Sua voz é importante. Minha voz é uma mentira. Melhorar não é linear... Mas eu gostaria que fosse. 

A imunização racional...

26 de ago. de 2024

Então fica bem se eu sofro um pouco mais,

 Eu queria um analgésico suficientemente forte para não sentir tanto. De alguma forma me habituei com as intensidades e isso me tornou alguém que sente muito, no meu silêncio ecoam os versos de Leminski “Sinto muito, sentir é muito lento”. Estou aqui e estou de pé diante do caos que eu mesma construí para mim, falei em alforria a liberdade que pagamos a quem nos escraviza, as vezes à nós mesmas. Eu fui construindo um lugar para mim, uma espécie de castelo de cartas, usando como base os sonhos que tinha e as minhas costas. Acontece que eu já estava há tempo demais abaixada e você sabe o que acontece quando a gente se levanta abruptamente né ? As coisas caem. Caíram porque eu levantei, mas também caíram porque eu escolhi brincar de subjugar meu corpo, meus desejos e transformar tudo em cartas. Qualquer coisa como quanto maior a altura, maior o tombo, para me consolar penso que para cair é preciso experimentar alturas. Ninguém cai de lugar nenhum. Até para cair é importante se levantar, visto que quem se deita no lugar de objeto permanece imóvel. Meu pai costumava dizer que era melhor um pobre sofrendo do que um rico apaixonado, porque o rico apaixonado perde o crivo e mata e o pobre sofrendo faz poesia. Vamos fazer poesia. Algo como: 

Eu assumo 

Eu sou a maior responsável 

Por tudo isso que está me machucando agora

Mas o fato de me saber responsável 

Não anula a dor que me causa 

Saber quantas vezes,

Quantos cifrões,

Quantas culpas, 

Tantos anos 

Eu não me escolhi. 


Quem é mais sentimental que eu ? Eu disse nem assim se pôde evitar. 

12 de ago. de 2024

Naquela mesa tá faltando ele e a saudade dele tá doendo em mim,

 Eu estou diferente. Minhas malas foram roubadas, que nem as coisas da Ana Carolina naquele dvd, em que ela recita em resposta ao infortúnio "só de sacanagem", então, perdi todos os meus perfumes, eu tinha dois, um que usava mais de dia, na correria, e um outro que usava menos no dia-a-dia e reservava para os dias especiais, esse perfume eu uso desde os 18 anos, foi o primeiro perfume importado que tive e me apaixonei pelo cheiro, queria ser alguém que se atrevia a cheirar daquela maneira, mas eu não me sentia eu mesma com ele, eu aprendi a torna-lo parecido comigo, porque era parecido com quem eu queria ser. Bom, o caso é que ele foi embora. Fico voltando naquele dia como numa investigação de mim, sinto falta das coisas, mas sem desespero, me estranho e mudo de assunto para pensar agora no meu amigo que tem tantos tantos cheiros, será que ele se identifica com todos, ou para cada um ele cria uma persona? Constatei que estou cansada de criar personas, decidi ali, com a água quente demais batendo no cansaço das minhas costas, que eu iria ser uma pessoa que usa o perfume que reflete o cheiro que a identifica, mesmo que usar perfume tenha algo de cheirar a algo que é desde sempre inumano, não queria cheirar a minha humanidade, queria que a humanidade me cheirasse, queria deixar algo de mim, uma mensagem que transbordasse a minha passagem pelas pessoas, então olhei para o perfume extravagante que escolhi numa loja de departamento há alguns dias, em cima da pia, apoiado numa bandeja de espelho, coisas rosas e de cristal refletindo no seu corpo, também cor-de-rosa, e na virgula que fechava seu frasco, preta com dourada, eu sinto uma atração estranha pelas combinações de cores que ele faz, e o fato dele guardar um perfume adocicado com traços de canela e outros temperos me faz sentir abraçada pelo seu cheiro, parece comigo eu sou doce e temperamental na mesma proporção, não é um cheiro marcante, absoluto, não é um chanel n 5 que roubaria dos demais o brilho, eu quero ser alguém que usa um perfume só, porque acredita que esse cheiro conta algo de si pro mundo que talvez possa ser contado em diferentes situações e circunstâncias, tem um ebó que quando saudamos para o dia dizemos "Obará conhece meu cheiro", tomamos Obará enquanto uma das facetas da prosperidade e dos caminhos abertos, e isso me leva a pensar em Ajé, aquela que traz as riquezas do fundo do mar para as nossas vidas, e decido também: amanhã vou fazer uma atividade física, vou começar - Agosto é mês de Omolu - nem vou pensar, só vou lá e vou fazer, pego o sabonete de erva doce, minha mandinga ordinária para dias ruins e lembro do que discutimos na terapia, quero fazer uma atividade física, minha terapeuta possivelmente cansada dos meus arroubos desejantes me conduz em uma dança que em um determinado ponto se torna algo sobre como meu pai me disse que eu não deveria fazer nenhuma luta porque eu era muito temperamental, agressiva, engraçado como as coisas que dizem de mim quase nunca se parecem com como eu me sinto, afinal eu sou doce com canela no cheiro, ou será isso aquilo que quero que as pessoas me sintam sendo, o caso é que eu fiz dança, fiz aeróbico com steps, fiz musculação, teatro, crossfit e um dia até fui para uma aula experimental de Muay Thai e só fiz o aquecimento, não cheguei a luta de fato, nunca fui fazer luta com medo durante a maior parte do tempo do que aconteceria se eu entrasse em contato com o meu suposto temperamento, talvez combine com alguém que usa um perfume elegante desafiar seu próprios medo, e passar um pouco disso que é o que se conhece e sustenta por não saber mais de si mesma, para aquilo que é saber de si o bastante para escolher o que todo mundo escolhe e viver o que todo mundo vive sem precisar mais da confirmação da inadequação em cada passo do seu dia. Do meu dia. Eu não quero mais viver com medo, com um medo tão profundo e significativo de ser quem eu realmente sou a ponto de descobrirem que eu, no fundo, me pareço mesmo com todo mundo, sou mesmo igual aos desiguais e iguais, confrontar, assim, apenas tomando banho, muito quente e muito cheiroso, que eu não tenho nada de especial. Não ser saudável não é especial, ser saudável também não é. Nada é tão especial assim. Nessa versão, essa constatação não me deprime. Fico ali sentindo o que preciso sentir pelo tempo necessário, um pouco triste, um pouco alegre, coisas boas e ruins devidamente moderadas, sem arroubos. As coisas são o que são. Gostaria de poder falar com meu pai sobre isso. 

2 de ago. de 2024

Não dá pra ser covarde/O perdão não sabe ver as horas,

 Mesmo saindo cedo ele tá atrasado

Não sei se posso parar de fumar, o cigarro mantem minhas mãos e meu peito ocupados, enquanto eu fumo o tempo se arrasta lento, entre uma baforada e outra tenho uma sensação de parâmetro e controle. Não acho que fumar seja um hábito saudável, mas acho bonito ter a coragem de assumir a minha insalubridade. Essas coragens tem me habitado de muitas formas nesse tempo, se era antes Gilda, coitada, me sinto sendo Gilda, apenas. Os caminhos torpes, os silêncios vários, cada maço de cigarro esvaziado buscando um propósito, um poema, um nome que esgotasse a mim, tudo isso abandonado, estou à deriva de mim. Gosto de estar intencionalmente derivada, de mim, por mim, para mim. De todas as coisas caras que vesti, comi, bebi, comprei, essa é a que me ascende a condição de Eu, meu próprio singular. Busquei nas noites atrevidas, busquei nas bocas entreabertas, busquei nas paixões irrefreáveis e não pude ver como vi quando me olhei no espelho, nem era um espelho exatamente, mas um objeto refletor: eu, ali. Ali comigo todo tempo e mesmo nua, pobre, rubra, puta da vida, mesmo marginal, coisinha, ex-qualquer-coisa e tudo que já se soube sobre mim, eu continuava ali, me sorrindo torto e de volta, capaz de fumar um cigarro por vez. Capaz de reger meu caminho entre os tropeços e os pódios. Eu tive muitos pódios, fui eleita várias vezes por diferentes pessoas, me queriam ali, eu era o centro do mundo de pessoas que se refugiavam nas solidões eloquentes de si mesmas e depois cansavam, procuravam outra Gilda, outra moda, outros modos. E isso me afetava tanto, eu queria, eu quis sempre ser tudo para alguém que distraída não fui capaz de perceber que mesmo na iminência do que me mata, eu sou tudo para mim mesma. Estou aqui, mais uma vez apaixonada, dessa vez é tudo novo, eu prometo, estou apaixonada por alguém que eu sempre fui e nem sabia que era. 

25 de jul. de 2024

Por ser de lá na certa por isso mesmo,

 Doutor, sou eu de novo, lembra de mim? Parece importante que você lembre. Lembrar é uma coisa mesmo muito engraçada. Eu me lembro que eu te disse que quando eu ouvia música estava sendo música mesmo e você achou graça, porque para você música é sempre música, porque você ouve os louvores chulos e se identifica com isso, eu me sinto caber em lugares mais complexos que isso. Então, eu tenho sentido coisas novas. Não novas inaugurais, novas com uma memória indistinta de ter visto, o senhor já sentiu isso? Uma paz de espírito no caos ? Na mais ampla bagunça a sensação firme de vento na cara em um dia de sol no meio do mar? Aquela sensação que é sempre novavelha de nunca ter sentido e já ter sentido, porque afinal já ventou na minha cara em algum momento, mas também nunca senti o vento como tenho sentido agora. Agora não é sempre e não é nunca. Agora é agora. Então estou sentindo o agora completamente. Tenho sentido tanto o agora que agora eu sei de coisas de mim que antes ignorei de tal forma que para mim, antes, não existiam. Voltei a sentir o gosto da vida. Novovelho. Acho que o senhor não deve sentir, ou talvez sinta, mas não se permita acreditar que sente que é um jeito de se fingir que não existe, mesmo que constatar a inexistência só seja possível se de alguma forma tiver existindo. A imaginação cria as coisas, e posso viver assistindo, mas doutor eu acho que prefiro viver vivendo. 

14 de jul. de 2024

Abre a porta e a janela,

E vem ver o sol nascer.  

Manhãs com gosto de café, o sorriso cantado pelos Novos Baianos, a fumaça do incenso e do cigarro, a demora nas pausas, o excesso das pausas, o perfume das flores novinhas compradas hoje na feira. Ora, você sabia que com 50 reais e um pouco de boa vontade é possível produzir no mínimo três arranjos e presentear os vermelhos, roxos e amarelos desses jarrinhos por toda a casa, até quem sabe presentear as pessoas amadas?!E esse ventinho frio de julho, que sopras as folhas ressecadas no quintal, verde por todo lado, seja no limo das paredes surradas pelas chuvas, seja na grama que cresce abundante. Também tem passarinhos brincando aqui e acolá e mosquitos até, mas o bastante para não perturbar a paz. A Baby do Brasil tem mesmo um sotaque bonito, não é ? A preguiça dos corpos que se esticam no sofá, o calor das mantas e o cheiro que é de amaciante, mas também cachorro, uma moto que corta o silêncio repleto de sons. O silêncio em mim. Quando eu paro e consigo captar o bom do presente.  

26 de jun. de 2024

Não falem dessa mulher perto de mim,

 Não falem pra não lembrar a minha dor.

Ela tem um sono leve, a dor, sabe? Diante dela passos miúdos que não fazem barulho no corredor imenso das lembranças. Nem psicotrópicos nem drogas nem analgésicos nem nenhuma forma de intervenção externa interna possível impossível só até perder o ar e dormir e esquecer e eu esqueço e então vem uma foto, uma menção do seu sagrado nome. E a dor volta. Uma pequena fisgada no meu peito, fico suspensa no tempo, quase um instante. Quase uma eternidade. Fico sem ar. Algumas vezes disfarço o susto da dor falando seu nome sem rebuscamento nenhum, como se não fosse nada. E sinto que convenço uma plateia esperançosa de que eu não sinto a sua falta. Convenço de que a dor não é imensa, convenço de que a vida seguiu e ninguém vai reparar.  E ninguém repara, eu reparo, coleciono as nossas memórias e me aterrorizo muitas noites quando você visita meus sonhos. Fantasio que vou te encontrar por aí e me esforço para não te encontrar jamais. Não sei fingir bem. Acreditei por algum tempo que éramos almas afins e por isso sentia sua presença e adivinhava seus pensamentos. Hoje diante da finitude me sinto capenga. Foi muito difícil, é. É muito difícil acordar e dormir num mundo onde você me despreza. Foi diante do desprezo que eu desisti, sabia? Pra mim o desprezo sempre foi a morte do amor. E olha só eu te amava, eu te amava com tudo que eu tinha. Hoje quando mencionam seu nome numa roda eu sinto o mundo girar numa vertigem horrorosa. Já quis apagar você, já quis desapegar de você, mas hoje tudo que me resta de tudo que você foi é essa cólica que eu sinto, cólica não cólera, no peito quando lembro e lamentavelmente eu lembro muito ainda. Eu sei que um dia eu não vou lembrar mais tanto e que a memória do amor amado se dissolverá na paisagem. Já vi isso acontecer antes, vou ver isso acontecer depois. Para mim perder quem eu amo sempre foi pior que a morte e as lágrimas salgadas não consolam a imensidão de mar em mim. Mas eu sigo, com as mortes no peito, o luto que não tem fim, a saudade que amarga, sigo tentando me lembrar quem eu era mesmo antes de você, para ver se eu descubro quem eu posso ser depois. 

11 de jun. de 2024

Eu e água,

Para a água da vida.


Estou brincando no rio e sou criança. O medo não me assalta, somos apenas nós duas - o rio e eu. Me estico sobre seu leito dourado e me deixo acariciar, recebo o carinho que ela me oferta e somos amigas. Espalho água, a reviro entre meus dedos, experimentando sua temperatura, quase sempre fria, e somos amigas. O rio me conta suas histórias de água e eu lhe conto minhas histórias de volta, quando olho no olho d'água também me enxergo, me enxergando umedeço as minhas fontes, me sinto leve. O rio caminha devagar e sempre, agora já adulta, eu corro. Eu tenho medo do rio, mesmo que ele não seja especialmente perigoso, parece que a água guarda um segredo sobre mim que só poderei descobrir mergulhando, mas eu me recuso, não somos mais amigas, estou amarga. E então um dia, por descuido o rio atravessa meu caminho, mais dourado do que nunca, e eu me encanto com as cores que ele traz em seus braços, eu quero ser amiga do rio, como fui em criança, mas não sei como, sinto que perdi o jeito. O rio então canta para mim, no meu momento de maior agonia, o rio canta para mim e me diz que outra vida fresca, próspera e boa é possível. Eu mergulhei, mesmo com medo, de olhos abertos e corpo presente e me permiti ficar. Eu quis ficar, escolhi ficar, mergulhada no rio, de olhos abertos, encantada com os presentes que ela nem sabia que me havia dado, mas recebi e fiquei. Fiquei e hoje sinto como sentia em criança a alegria do mergulho e o carinho do rio me salvou da amargura. O rio viu em mim com seus olhos de água e vida o que eu já não via mais, alegria. E me batizou Layó, alegria. E o rio me escolheu pra ser dela e ser minha, para sermos juntas - eu e água. 

5 de jun. de 2024

Essa infinita Highway ,

 Memorizo o céu de uma cidade qualquer enquanto dirijo, prometo para mim mesma não esquecer. Capturo a cena e retorno para ela, constatando que ainda lembro. Coleciono memórias de um passado distante e costuro-as no presente para que ele não perca o sentido. Às vezes acho a vida pouca, quando assim, quero correr mais que as pernas para longe, para a vida muita. Às vezes dirigindo me sinto mais importante que o dono da preferência na rua, me aterrorizo de mim constatando que também sou mesquinha e logo me perdoo, repetindo pra mim mesma que sou pessoa - tenho direito às minhas falhas - brindo as minhas contradições e sigo segurando o volante da minha vida. Carrego dores que não deixam de existir, não importa qual caminho eu pegue, vícios e multas de mal comportamento têm me seguido obstinadas. Tudo me convida a parar, apreciar a vista, encosto o carro, respiro fundo, visito o céu de meu registro mais antigo e bordo no presente o assombro do mais novo. Não quero motorista, quero dirigir livre. Às vezes eu gosto de estar dentro de mim, às vezes queria estar no outro. Uma vez me disseram que Ferrari não tem adesivo, nunca me imaginei Ferrari, estou mais para ferrada mesmo, mas cubro meu corpo de desenhos e palavras que são apenas minhas e que só eu escolhi para mim, faço do meu corpo automóvel e estrada, me percorro e me percorrendo não me esgoto.

14 de mai. de 2024

Mas se apesar de banal, chorar for inevitável

Eu vejo nos rostos que compõe o que eu entendo como família expressões que contam a minha própria história. Em algum momento eu não via as semelhanças, não via mais o balanço dos pés cheios de joanetes, a narrativa de uma classe trabalhadora cheia de desafios amorosos, não via o bom gosto das músicas como meus. A morte me mostrou o que é meu. A morte, parte inexorável da vida sempre tem uma generosidade na sua narrativa, ela ensina. A iminência de perder o conhecido, perder o desconhecido, perder os futuros e perder os presentes coloca em perspectiva o que desconhecemos. Todo início de mês, numa quarta feira por vários meses consecutivos fiz um feitiço pedindo que as dinâmicas do cuidado aviltado pela realidade, que as dinâmicas de família que desconhecem limites, que as dinâmicas da minha subjetividade e da minha cabeça ocidental fossem desarmadas de mim, todas as quartas recebi respostas inacreditáveis. A cegueira se afastou de mim e reaprendi a enxergar, não o modo como as coisas funcionam, o modo como eu mesma estava funcionando. Tirar a venda me ajudou a revelar um corpo vazio, eu estive vazia por tempo demais. A minha mãe de santo falou que aprender a fazer magia era primeiro fazer e depois ver, o resultado era o exercício da fé, fui fazer e fui vendo de novo. Não vi apenas coisas bonitas, eu vi muita dor, mas uma dor que eu mesma me causei escolhendo acreditar e nomear o inimigo como amigo, o desconhecido como conhecido e desamparando o que sei de mim para mim. Exu está aqui, brincando comigo, junto às mães maiores que ritualizaram na sua volta ancestral para minha vida a necessidade de não temer os voos, mesmo os inesperados, a mulher pássaro precisa voar. E as vezes voar no nenhum, de volta para si mesma, sem rotas, nas rugas de expressão que crivam a realidade.  

Picolé de Chuchu ;

Fria e Indigesta !