3 de mai. de 2010

Como eu sou girassol, você é meu sol.

Levantou os olhos outra vez, encarou as paredes forradas de sonhos antigos, marcas de mãos, recortes de revistas e fotografias velhas. Então, voltou a escrever.
O tec tec das teclas ressoava irritante, fez uma nova pausa, desceu as escadas com a leveza habitual, acendeu as luzes no caminho, passou pelo corredor, entrou na cozinha. Antes mesmo de entrar sentiu o cheiro de alho e ervas, sorriu. Como se estivesse desabilitado a sorrir, seu rosto não se rendeu rapidamente.
Esqueceu o que pretendia fazer, sentou - no chão mesmo - apoiou o rosto nas palmas das mãos e começou a recordar...

Lembrou-se de quem fôra um dia, riu sozinha de algumas piadas que contara outrora, lembrou de um amor que teve. Não tinha beleza que se equiparasse a esse objeto de amor infantil, nada, nenhuma das histórias contadas seria capaz de descrevê-lo. O amor era como um raio de sol- que eufemismo, pensou - e perigoso como tal. Mas irreverente que era, decidiu não usar o protetor solar.

Fez na areia dos seus sonhos diversos castelos, todos de arquitetura duvidosa, nem notou em que parte de sua tarde feliz a maré começou a encher. Só se deu conta da proximidade das águas quando elas já lambiam seus dedinhos. A água estava gelada, e o sol já estava se pondo. O sol poente sempre a havia seduzido, acho que era por causa de todo aquele vermelho no céu. Se afastou dá água, esqueceu os castelos, rumou em direção ao sol. Como não teve a sorte de
Ismália*, seu horizonte estava no chão, perto das dunas que só ela era capaz de ver.
Queimada e triste, parou a certo ponto confusa.

Porque me abandonastes, se sabias que eu era fraca? Se sabias que eu não era Deus ? - se perguntou num fio de voz.

Como resposta, viu iluminar-se uma lamparina numa barraca ali perto, a noite já havia apossado todos os cantos com seu azul triste e frio.
Pensou que talvez fosse a lamparina um pedaço de seu sol, pensou que podia ser um sinal, pensou que a noite ia acabar, que seu amor voltaria. Correu o mais rápido que pôde na direção do seu fiapo de esperança, decepcionou-se outra vez. Praguejou, gritou, prometeu que cresceria, que ia ser grande e adulta, que orgulharia seus pais, que seria médica, artista, advogada e jornalista, tudo ao mesmo tempo para nunca mais sentir o sol, nem vê-lo, muito menos amá-lo.

Adormeceu ali, perto da barraca decadente, embaixo da lamparina, o vento soprava impiedoso, não teve nenhum pesadelo nessa noite, mas acordou com uma carícia no rosto, morna e afetuosa . Teve medo de abrir os olhos, mas abriu.
Ficou surpresa quando descobriu que aquela era a carícia pela qual procurou a noite inteira. Seu Sol tinha voltado! E ele estava tão bonito ! Desculpou-se pelas acusações, disse-lhe que a culpa era toda sua, que tinha sido estúpida de sair sem o protetor. Ele ouviu, ouviu calado tim-tim-por-tim-tim e quando ela concluiu desesperada com um eu te amo qualquer, ele fez sinal para que ela se calasse, e disse, de uma só vez, num sussurro ...

Não temas, o prazer do meu calor é fugaz e banal, qualquer lareira pode te oferecer. Mas, nunca ninguém vai ser capaz de te ensinar tanto com uma queimadura, e, tampouco de iluminar todas as suas alvoradas com o mesmo carinho de outrora. E ninguém, ninguém mesmo, minha princesa, vai te amar tanto, e tão intensamente, que precisará fugir só para te mostrar a noite, só para te dividir com ela, porque a noite também te ama e eu devo isso a ela.

Rolou os olhos, abraçou a si mesma como se sentisse um frio insuportável - que vinha de dentro - mas resolveu ir para a janela, e ele estava lá. Lindo, como sempre, brilhando só para iluminar as suas alvoradas.





30 de abr. de 2010

Um cigarro, um segredo e nada mais.


Isso mata, você deveria parar.
Tudo mata, tristeza mata mais
amor mata mais, viver mata mais
E quem pode diagnosticar ?

Quantas vezes mais me sentirei devassa,
Nos meus caminhos tortos, sem tino,
Deixando por aí rastros de fumaça.
Quantos outros segredos guardarei desse azar
E quantas outras vezes verei minha mãe prantear
o vazio dos sonhos que não me viu realizar ?

Viver é um morrer progressivo
Dotado de um mistério medonho
Que só alguém que em pesadelos vê sonho
É capaz de adjetivar.



25 de abr. de 2010

Lucy in the Sky with Diamonds .

Tudo bem ?

Tudo Blues.

Domingo bom ?

Domingo é dia de se render,

De ir a missa, pedir perdão pelas infâmias semanais.

Façamos, diferente então!

Façamos poesia que o domingo é dos poetas,

Porque somos invisíveis aos olhos hipócritas do nosso mundo.

Segura a minha mão, dancemos, trepemos e cantemos!

Me siga e faremos a chuva sorrir, que não tem ninguém olhando agora.





- Inspiração, Otávio Dall'Asta.



Original :



Façamos poesia, domingo é o dia dos poetas, porque para o resto do mundo que pára e se rende aos encantos da poesia, nós não existimos, mas, segure a minha mão e dançemos, trepemos, cantemos, façamos a chuva sorrir, que não tem ninguém olhando agora...


24 de abr. de 2010

I WANT YOU.

Se você fizer uma radiografia da sua vida, verá com certeza - e quem sabe com um certo espanto - que eu apareço, do tornozelo ao pescoço.

Meu bem, meu bem, meu bem. Ouça o mal tom do alheio, quem irá nos proteger ?

Você vai me destruir! Me indignando, me enchendo de tédio, não me satisfaz!

Se me trocares nem por isso eu morro.

Me sinto só, me sinto tão seu.

Acabou chorare.

Medo de subir, gente, medo de cair, gente, medo de vertigem...Quem não tem ?

Com açúcar, com afeto.

Eu vou fazer uma canção pra ela.

Meu coração não se cansa de ter esperança de um dia ser tudo o que quer.

E eu não quero amor nada de menos, dispenso os jogos desses mais ou menos.

A letra "A" do seu nome, abre essa porta e entra, na mesma casa onde eu moro, na mesa que me alimenta.

Não se afobe não, que nada é pra já, o amor não tem pressa, ele pode esperar... No silêncio, num fundo de armário... amores serão sempre amáveis.

...


15 de abr. de 2010

Dó sustenido.

De longe, através da janela, a vi formar-se,
E mesmo antes de vê-la, já sentia seu cheiro.
Depois a vi crescer e aproximar-se,
Quando saí ela caia em si bemol
Batendo no meu rosto, lavando a minha dor.
A princípio pensei ser uma carícia,
Depois descobri que era tapa.
Chorei, chorei, inundei a rua com minhas lágrimas
Chorei, até o choro sustenir-se,
E a chuva que chovia de mim lavou a rua
E a outra, lavou-me a alma.



Não solta da minha mão, não solta da minha mão.


Para : Rafael Sady e Ana Elisa.

14 de abr. de 2010

Balada do Não que virá.

Talvez novamente me encontre
Marginal em seus pensamentos
Pulsando em sua veias
reavivando seus tormentos

Talvez, por um breve instante
Sinta sua razão vacilar
E venha ao meu encontro

E quando o talvez virar não?
E outra vez, talvez, não queira.
O que farei com a emoção
Que a ti nutria a vida inteira?

Talvez, quando sua razão vacilar....
Eu não esteja mais lá.
E, talvez, outra vez, se desencontre
E encontre em outros braços um novo lar.

I say a little prayer for you ,

Senhor, fazei de mim um instrumento de Vossa paz

E onde houver mediocridade, que eu leve a mim
E meus olhinhos infantis,
para a partir de mim, vislumbrarem o mundo
Os infelizes vis.

Senhor, fazei de mim um instrumento de Vossa paz

E onde houver efusão, que eu leve Franqueza
porque o Senhor é o caminho da Verdade
E eu sou sua imagem e semelhança,
E mesmo quando a mim me assolar
a descrença, faça com que pareça Bonança

E onde houver discórdia, que eu leve a Luz .



Alusão à oração de São Francisco.

13 de abr. de 2010

Incompleta e inconclusa.

Hoje eu 'tô assim.*

Se por acaso te quedar triste
E quiser o acaso que eu esteja lá
Não chore nem maldiga a solidão
Se achegue a mim e faça par.

Se me ver chorar com os olhos
Mesmo com um sorriso no rosto
Não me julgue, não me ajude,
Não ocupe esse posto.

Não finja que não sabe do que falo
Toda gente conhece a solidão
Alguns fingem que vivem...
Outros buscam uma estação.

13-04-10 às 00:48 pós conversa com Tainnah Bastos, estudante e dona do blog Hoje eu tô assim .

30 de mar. de 2010

Agora é brincar de viver !

Não esquecer: Ninguém é o centro do universo, assim é maior o prazer.

Tenho experimentado uma paz interior fabulosa, é importante isso de estar de bem consigo e com o mundo que te cerca, nos confere um certo poder.
A rotina desgastante de estudo do Terceiro ano e aquela sensação estúpida de falta se apresentando previamente, dá a convivência uma tensão de pré-perda e tudo fica mais bonito.
E consoante tudo isso, eu sinto minha personalidade se enquadrando, tomando forma, e me vejo mais mulher que menina hoje. Mais sensata, mais ponderada. Mais horizontalizada, frente as expectativas sem fim que diviso para mim e de mim.

Para ouvir: Maria Bethânia - Brincar de Viver.

23 de mar. de 2010

Soneto da Separação.

Alanie Ramos (GLEE) diz:
Quando você entra, é tudo bonitinho até, você atura mas depois de um tempo tudo Satura e as coisas vão ficando rançosas e perdem a vida e você sabe que você ama a pessoa mas sabe também que aquelas atitudes que estão te ferindo não cabem no seu mundo. E chega uma hora que você simplesmente precisa decidir entre o seu mundo, seus valores, seus ideais, seus sorrisos e os sorrisos de uma pesoa que você sequer reconhece mais. E aí é como se um pedaço da gente morresse e a gente tivesse que velá-lo, sabendo que é da gente e dói, de um jeito que vai comendo a gente por dentro. E nada, nem as lágrimas, nem os berros, nem o ódio, nada é o bastante, indignação, humilhação, frustração. Eu não acho que sei como você se sentiu, mas eu sei como é me sentir usada. Como se todos os " Você é o amor da minha vida " e " Eu não vou desistir de você, NUNCA " jamais houvessem existido.
As pessoas mentem, Rafa, e é muito pouco o que se pode confiar para cada pessoa.
Abençoados são os que tem pessoas em quem confiar cegamente, vide amigos.
Amigos de verdade, no sentido amplo da palavra.
raaaaafs ! (eating a lot.) diz:
E foi engraçado, porque justamente na hora que eu estava chorando a minha mãe ligou pra perguntar se eu já havia chegado. E eu estava chorando muito. Quem atendeu o telefone foi o xxxxx e eu disse que queria falar com ela, que era pra ele me passar o telefone. E eu chorei mais ainda. E pedi desculpas a ela e disse que a amava.
E ela disse: Você vai ficar bem, meu filho, não fique assim.
Eu me sinto um idiota, sinceramente.
Eu confiei tanto nele, Nan, tanto.
Eu dei tanto amor.
Eu dei tudo meu que tinha pra dar.
Passava dias na casa dele dando carinho, conversando, fazendo ele PENSAR na vida dele.
Provocando-o com coisas que ele não pensava antes.
Aconselhando a fazer um vestibular.
Aconselhando a não parar de estudar nunca.
Aconselhando a dar mais atenção a família dele.
A tia dele que é praticamente uma mãe.
[...]
Sabe... Eu sou um bom garoto.
Eu tenho mil defeitos.
Mil e um talvez.
Ou milhões que ainda não descobri.
Mas tenho certeza de que fui bom e fiz o melhor que pude pra que ele fosse também.
E ver alguém jogando toda essa bondade pelo ralo é difícil.
Eu deixava de sair com meus amigos pra sair com ele. às vezes meus amigos marcavam coisas e eu sempre dizia que não podia ir, porque meu final de semana era sempre reservado para ele...
a minha semana toda era reservada.
E foi um desperdício vagabundo de tempo, de sentimentos, de amor.
De cuidado.


Então o riso, fez-se pranto. (:


Picolé de Chuchu ;

Fria e Indigesta !