16 de set. de 2014
Malemolência
Como ninguém segura o vento, eu te disse, como rotular algo esgota o significado, gostaria de ter dito. Mais Gilda que nunca, pontuaram, perceberam. Poderia dançar horas com você, fazia sentido. Não precisava de música, ainda estava de preto, mas luto nenhum, você ainda podia ver através de mim. Se houvesse paralelos chamaria "Destino" tal encontro. Você me tocou. Você me mudou. E despiu, com seus olhinhos infantis, como os olhos de um bandido, quem lhe deixou me olhar assim ? Tive medo de você, confesso, por quê você me deixava, deixava?, desconfortável, e tinha vontade de desconforto, de mudança, de você. Mas ainda assim era fácil, sem dor nenhuma, feito reggae em terra distante, feito um dia cinza e como veio fácil, fácil também se foi. Quem essa Gilda pensa que é, me falando em obtusos? Quem é essa Gilda que me olha pelas tangentes, que não me olha, que me evita os olhos, quem? Outras pessoas, assistindo àquela cena se questionaram se era possível que duas pessoas estivessem de tal forma ignorando ritmos, públicos, olhares e causando tal devastador incômodo, essas duas pessoas, nós, se perguntaram como poderia ser tão absolutamente coerente. O amor há de renascer das cinzas, das lembranças, de nós. Vamos celebrar as cinzas com amor, before you go.
26 de ago. de 2014
Onde a vida é de sonhar: Li ber da de...
Você que me enfeita os sonhos,
Mal toco seus espaços,
Não sei, saber não é do meu feitio,
[ E talvez não seja causo de saber-te]
Sei que lhe chamarei Liberdade.
Poderia lhe chamar Desejo,
Sei que viria até mim,
Embora pouco saiba da sua órbita,
Sei que te quero Liberdade,
E querer assim é maior que o Desejo.
21 de ago. de 2014
Aos amigos e aos caminhos nem sempre dourados,
Olhando para as luzes apagadas na vizinhança, sinto inveja dos silêncios e saudades dos amigos. Sinto inveja de quem não precisa dividir a inquietação com os amigos e as taças de vinho, e os copos e as rodas e as doses. Sinto inveja de quem é silencioso por fora, e de quem ainda tem fé. Meu modus operandi tem sido a raiva, a raiva da dor, a raiva da injustiça, a raiva da raiva. Não quero sentir raiva, mas não me sei ser branda. Tenho arranjado pessoas boas, se volto pra casa sozinha é por que escolho assim. Prefiro esses, os amigos tortos, que me chamam pelo nome ou não, que me precisam e que me prescindem, prefiro o som dos seus sorrisos à mortífera solidão do silêncio de tudo que ficou por dizer e por fazer e por viver e... E calo, pois não fumo. Não sei fumar, e calo, pois não sei chorar. E calo, dura, calos ferem, calar fere. Meus amigos quando me dão a mão me dão o mundo. Meus amigos são todos quebrados, eu também sou e reconheço-me neles, desamassa aqui, desamassa ali pra ficar bom, meus bonecos de lata de vulnerabilíssimo coração. Esse fulgor de vida, essa inquietação, esse desafio ao que se mostra, que isso não nos perca.
17 de ago. de 2014
Luz negra
Esse vento que grita, lá fora, se bem me soubesse falaria manso. Ah se esse vento que grita lá fora soubesse dos gritos em mim, de mim, para mim. Ele me sussurraria ao pé do ouvido. Eu voltei mais puro do céu na música, eu voltei mais duro do céu na vida. E esse medo? Tem fim ? A solidão não tem, e não adianta, não me tomem essa dor. A solidão impenetrável, indizível, feito poesia-quase-pronta, aqui dentro e o peito ora sol ora chuva ora coisa nenhuma tempo nenhum, sem danças. O álcool só me faz chorar, convidam-me a mudar o mundo, era só fazer pose e dançar, não era? E beber, e rir, e parecer agradável, feminina, atraente, sobretudo atraente. Mais nada, mais nada, mais fração nenhuma de lugar qualquer. Finja, finja, venda, diga, beba, fale, coma, deite, trepe, sofra, ligue, estude: Cresça. Não me toque, por favor, não me toque, eu tenho medo. E me toque, agora e me toque de novo, me provoque com igual verdade. É tudo tempo. É tudo quem. Não é. A solidão está aqui. Ela conversa comigo, me chama para dançar e eu não danço, por quê a minha aureola caiu e ninguém viu. Ninguém viu onde, e ninguém riu como pôde. A luz negra se esvaia entre as cortinas, ribalta nenhuma, também, eu não sei como é bom ser mulher, eu só sei ser. E ser também, assim também, é demais: também. Isso é rima, não é solução.
28 de mai. de 2014
Agô
- Quando eu nasci anjo nenhum,
- Me recebeu um Exu retinto, que dançava na chuva
- Anunciara a bonança, era mulher de boceta e resto
- Nanã lhe espiava a dança, chovia feito o choro
- Da esfomeada criança, sabia-se filha de Iansã,
- Que a arvorava a liderança e os ventos de mudança,
- Bandeira nenhuma carregaria, sem a Padilha abre-caminhos de herança,
- Certamente, saberiam, os louvores da tal criança.
- Não iria casar, senão com a revolução,
- Subvertia o matrimônio, o afeto dos díspares era sua aliança
- A justiça o seu Estado e a Fé sua nação,
- Não era feia, nem bonita, era toda senão,
- Isso tampouco lhe importava, valia mais o coração,
- Que é coisa vermelha e pulsa, feito uma exclamação
- Que batucava feito samba, e no terreiro nunca lhe faltou chão,
- Para amar mulher que luta há em Iansã mais comoção.
- Mulher é, verbo de criação, eu sou.
23 de mai. de 2014
Asperidão
O que arde em mim e o que move em mim
São mais de mim
Que o limite da sua fala traduz
O que move em mim e o que peca em mim
São mais de luz
Que anjo, prece ou cruz
O que peca em mim e o que goza em mim
São mais de fio
Que a fina faca afiada pela língua faz jus
O que goza em mim e o que de mim em mim se faz
Nem limite, nem luz, nem fio, nem faca, nem cruz.
10 de mai. de 2014
Mais Maria que Madalena
E aí me dá uma vontade louca de alisar o cabelo ir na missa crismar casar de branco ter dois filhos muito machos por favor e ainda uma casa financiada em mil vezes num condomínio de alto padrão carro do ano sedam prateado e trocar o celular férias na disneilândia renovar votos de frente pro mar deixar que alguém me defina escolha por mim e tudo isso dura o minuto inteiro e roxa roxa quase sem ar percebo que: é só preguiça de sonhar, levantar, alçar vôo, que ser de vanguarda também cansa e a gente é gente e viver assim é cômodo.
O masoquista e o fugitivo
[Para ler ouvindo]
Estava escolhendo limão, para fazer uma torta, a música no fundo melodiosa dizia que a gente que escolhe sorrir, ri, era escárnio, não graça, e que a gente escolhe chorar. Onde já se viu, escolher riso ou pranto feito se escolhe...limão!Aquele cheiro de hortifrúti mamão manga laranja lima limão maçã me botavam enjoada como o diabo, mal sentia além da música e a voz meio chorosa da Vanessa da Mata, há certa hora do dia em que mal sinto as minhas extremidades, ando como alguém que fumou um baseado, eu? Fumei não! Nunquinha meu senhor! Como poderia saber? Então, parecia que flutuava entre as prateleiras coloridas, e aquelas vozes femininas e toda aquela paz, toda aquela naturalidade naquele varejeiro mil vezes no cartão batata alface feijão, já não havia música, nem vozes, nem mercado, era eu e eu e eu e eu. Ondas de mim invadiam tudo e derrubavam tudo e nada mais fazia sentido algum. Até que uma velha voz me3 chamou pelo nome e a velha cefaleia, o velho cansaço nas pernas, a dor de coluna, Oi? Vamos sim. Para onde? Para o caixa, é claro. É claro. É claro.
Não é.
Estava escolhendo limão, para fazer uma torta, a música no fundo melodiosa dizia que a gente que escolhe sorrir, ri, era escárnio, não graça, e que a gente escolhe chorar. Onde já se viu, escolher riso ou pranto feito se escolhe...limão!Aquele cheiro de hortifrúti mamão manga laranja lima limão maçã me botavam enjoada como o diabo, mal sentia além da música e a voz meio chorosa da Vanessa da Mata, há certa hora do dia em que mal sinto as minhas extremidades, ando como alguém que fumou um baseado, eu? Fumei não! Nunquinha meu senhor! Como poderia saber? Então, parecia que flutuava entre as prateleiras coloridas, e aquelas vozes femininas e toda aquela paz, toda aquela naturalidade naquele varejeiro mil vezes no cartão batata alface feijão, já não havia música, nem vozes, nem mercado, era eu e eu e eu e eu. Ondas de mim invadiam tudo e derrubavam tudo e nada mais fazia sentido algum. Até que uma velha voz me3 chamou pelo nome e a velha cefaleia, o velho cansaço nas pernas, a dor de coluna, Oi? Vamos sim. Para onde? Para o caixa, é claro. É claro. É claro.
Não é.
8 de mai. de 2014
Flor de Laís
Fito a Ela e
Ali, L(a)is, bela,
Me devolve um olhar.
Fita no cabelo dela,
Faz o mundo
Re-decorar.
Cora quando sentinela,
Sente dela o perfumar,
Linda flor, flor amarela,
Lá está o meu olhar.
Posa de bossa e jazz
E rock e cor e luz
Se tudo Laís tivesse
Quando tudo ela quisesse
Talvez fosse menos Blues.
26 de mar. de 2014
Do Quereres
Sete ondas depois
Amor, Amor, Amor
Amor, Amor, Amor,
Amor. Peço.
Sete anos depois:
Amor, Amor, Amor, Amor,
Amor, Amor,
Amor! Pinto:
Na minha boca o seu sorriso.
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