6 de abr. de 2013

Amora



Razão não é possível
Para dizer o indizível
O amor que                            é Indelével
Me sorri e                                  é afável
Quando a                AMAR                     vejo inefável
Sinto ânsia                  NÃO                   impossível
Contornando              CABE                   o invisível
De falar o que                 MAIS               não alcanço 
E desde já          ESTÁ ALÉM               não conheço
Porque quando penso o apreço
O texto se faz solúvel.















Dois anos e sete meses de epifania. Quando penso que sei o que é o amor, e que estou num lugar seguro sobre isso que é amar você, você me devora. E eu te """amo """ ainda mais. Mas amor aqui não cabe, é qualquer coisa além mar, além amor. Qualquer coisa com a nossa cara, qualquer coisa que é e não é para mais ninguém além de nós. E não faz o menor sentido fora da gente, mas para a gente faz todo o sentido do mundo. 

Raiar de erguer

I

Somos      Porque
Morremos
Quando não somos,
                            Por medo de morrer                                                                                                     Estamos
Ainda sendo
                                                                                                                                               Pelo d  e  s  v  i  o >


II

O meu querer
Prenuncia
Meu ser


III

Vir a ser
Virar ser
Devir
Já ter sido
Tecido o ser,
Virá-lo.
Ou não sê-lo.


IV

SER
COM
SER
IN
OU
AINDA
SER
NÃO
SER
NÃO
É
QUESTÃO
SER
É,

V

Eu podia ter sido
Poeta
ou
Puta
Decidi ser Psicóloga.
Poeta e Puta
Pela fuga.

VI

Sinto que sou
Minto que sei
Penso que estou
Nunca saberei








Pois no instante que sei, sou e já não fui.

21 de mar. de 2013

MORRER HÁ

Para meu amigo Val e a beleza que seus olhos vêem

Por medo de morrer
Matamos as possibilidades de ser
E estar
Cavamos a nossa cova a prestação
Na medianidade
Quando trajados de negação
Desocupamos nossos lugar
A morte vem, sempre virá
Montada no seu cavalo inexorável e singular
Vestida em panos anacrônicos
E resplandecerá na finitude
Se há, será.
Sujeitando-nos a imparidade
Nos pondo nus
de nós.

14 de mar. de 2013

Margem-analisar

Sonhei um dia ser
Qualquer coisa meio
Pagu, meio Leila Diniz,
Sonhei ainda ser Baby
Ou ao menos, ser Grow up.
Continuo perdida nos meus quereres
Continuo criança em meus prazeres
Continuo correndo os mesmo riscos, medos e prantos.
Continuo sonhando com a revolução na minha terra,
No meu corpo, no meu terreiro, no meu povo:
O mundo inteiro.

28 de fev. de 2013

Puta que sou

Puta não é a que deita na cama, 
Puta é aquela que a mesa dispensa
Que a roda emudece, que é tão subversiva
Que em outros meios padece.
Puta trabalho de domingo a domingo
Puta é aquela que ganha mais que o seu amigo
E descompromissadamente trepa com ele na mesa
Onde as damas se comportam muitíssimo bem.
Puta é quem me pariu, quem te pariu
Quem tem força criativa, criatória
Quem luta e em gênero faz história
Puta é a mãe que a minha, amada
Puta sou eu, desbocada
Quando nenhuma mesa me aclama
Sou puta, berrando na mesa
Trepando na cama.

16 de fev. de 2013

Vida é contágio. O oposto da vida não é a morte, porque a vida é longa e a morte é breve, mesmo quando repetitiva, cotidiana. A gente morre. Finda. Morre parceladamente 12x no cartão da loja. Morre de medo da morte. Do perigo. Da violência. Da solidão. Morre todo dia na estranheza. Estranheza do mundo. Do espelho. De nós no mundo. Nós em alguma sala de espelhos do mundo. De silêncios é que se morre mais. Está na moda morrer de impunidade. De acidente. De fatalidade. Morre também quem não ama. E quem ama também morre. Ou se mata. Morrer de amor não é difícil. Morre quem diz sim. E morre quem diz não. Não há nada puro nos poraís ou nos porões. Não há nada neutro. No sabão não. Nas pessoas não. Não há também nada neutro nos corações. Nas vozes não há nada neutro. Nem nas palavras. Tudo que existe é contaminado e contagioso. Impregnado de paixões e insucessos. De equívocos. De derrotas. De mortes. De amores. De lutas. De sonhos. De saudades. Tudo tudo tudo que um dia foi e que um dia será sem nunca ter deixado de SER.





Tudo que há É
Tudo que É e não Há
Tudo que É nada
Há contudo

29 de jan. de 2013

Vermelho

Gostar de ver você sorrir, beijar seus lábios enquanto você dorme, reparar no seu sinal, no seu sono, em qualquer coisa sua. Ter fé, mesmo quando dói. Conseguir te perdoar, sempre, te falar a verdade, sair da zona de conforto, te enfrentar, gritar com você, chorar com você, trepar com você. Sentir medo do escuro e te abraçar, sentir medo de te perder e te abraçar, sentir medo do medo e te abraçar. Pensar em outras possibilidades de felicidade e sentir sua falta, saber do conforto de amar você. Sentir vontade de te ligar nos momentos mais inoportunos, e ligar, mesmo que seus amigos riam disso, mesmo que eu me arrependa depois. Fazer dengo no telefone, pedir beijo no telefone, choramingar um ferimento no telefone, fazer amor por telefone, falar obscenidades no seu ouvido. Sentar no seu colo, ou na sua cara. Pedir com carinho, com tesão, com má vontade, ou nem pedir. Dar. Presentes, sorrisos, corpo, motivos, vantagem, doce. Cozinhar para você, mesmo que seja gelatina. Fazer careta, birra, graça. Gostar da sua cicatriz, aquela, no seu lábio superior. Tocar você, em você, com você. Ouvir você cantar para mim. Sentir a sua falta. Foda. Amar você.Imaginar você sorrindo, quando ler isso aqui. E gostar de ver você sorrir. 

26 de jan. de 2013

A outra

Eu ouvi o que disseram, quando disseram que eu merecia o coração partido que você me ofertava. Partido e repartido, me senti julgada, humilhada, exposta, nua. Me senti meio Ana Carolina, elevando a dor, também. A dor que eu metralhei em todas as direções, porque eu sou forte e sou por acaso, e precisava depositar o chumbo da mágoa.Quando eu te vi em outros braços, meu mundo se fez em pedaços e todas as teorias de conspiração fizeram sentido.O mundo estava sendo tomado pelos soviéticos e cairia uma bomba x, y, z ou começaria ali um apocalipse zumbi, porque eu me julgava importante demais, especial demais e única demais, mas eu não sou, e qualquer tragédia seria mais bonita do que descobrir que tudo que eu acredito também pode ser relativo, que as pessoas e os beijos são outros, como foram outros para você e que isso também não mudava nada. E eu preferiria perder meu cérebro para o zumbi, porque é mais fácil lidar com isso do que desconstruir o alto muro da mono-estrito-gamia pretensiosa que nos cerca. E pagar o alto preço dessa descoberta contra ortodoxa de que não somos únicos para ninguém e que também não nos pertencemos. E continuar vivendo um relacionamento, um amor, um caso. Não porque eu tenho que vivê-lo, não porque é assim que eu devo vivê-lo, mas porque é assim que eu tenho vivido, é assim que é para mim. E me faz bem vivê-lo dessa forma, onde não sou nem és. Somos.

21 de jan. de 2013

As Flores de plástico não morrem.

Tinha algo diferente nos olhos de Gilda. Talvez fosse a morte, angústia de quem vive. Talvez a solidão, fim  de quem ama. Não, não era. Era uma coisa doída, doída como o vinho tinto que corria nas suas veias, e tal como este, era de uma safra boa. E velha.
Gilda já não tinha mais 18 anos. Quantas pessoas podem se orgulhar de renascer em tão tenra idade? Gilda estava velha para si mesma, mas seus interesses pareciam cada vez mais juvenis. Andava falando em mudanças, em maturidade, em sopas, chás e dores lombares que ela não imaginaria nunca sentir, em angústias, tristezas e comoções. Gilda aprendera a chorar, e fez do choro sua rotina, as dores do mundo lhe açoitavam a cara marcada. Roubavam a beleza carmim dos seus lábios e imprimiam neles uma dor, uma mentira ou uma prece. Gilda estava velha. Mas nunca esteve tão jovem. Sentia uma leveza n'alma e não sentia falta da lama. Não precisava chafurdar na lama, se reconhecia lama, sem tocá-la. Lama, barro, areia, merda. De onde viemos e para onde vamos. Sentia o vinho, sangue, tinto, pulsando nas veias já não era mais de si, era do mundo. Sempre fôra o mundo, embora estivesse persistindo à sua margem, às margens de si. Embora houvesse se retirado, o mundo que lhe criou, a pátria, pútrida, que lhe pariu lhe chamara de volta. E de volta viveu. Em volta de, círculos e curvas que esvaziam os sentidos de ser.

13 de out. de 2012

Epitáfio.

Caminhar em um cemitério é como dormir sem descansar, não tem paz alguma. O ambiente silencioso, as flores reminiscentes de coroas muitas, caídas no chão, ou simplesmente apodrecidas no túmulo, roubam a paz dos caminhos. Para não falar dos mortos, enterrados sem possibilidade de retorno. Os mortos lembram os meus, com pesar.
Sempre tem túmulos frescos e novas covas. As inscrições eram variadas, desde " amor de irmão " até " tempo perdido ", revisitar o meu cemitério nunca é fácil.
É lembrar dos sonhos que morreram no caminho até aqui, e alguns eram tão joviais que nem deveriam ter sido brutalmente assassinados. É lembrar dos afetos que morreram de tempo ou de jeito. É lembrar sobre tudo das expectativas mortas, que me cravaram o peito de decepções. É lembrar de toda angústia jovem de vinte anos, e certamente é me deparar comigo mesma, um dia, junto a tudo que já perdi.
Méritos também foram enterrados lá, e monstros, e o meu peixinho dourado. O meu peixinho dourado jaz na cripta mais imponente, ao lado de Megan, a gata. Ora que ironia. Ambos mortos pela mesma pessoa, dezenas de vezes.
E em uma última cripta, de mármore branco e arabescos : Gilda. Aquela que me deu a possibilidade de vir a tona com meus próprios pés. E braços e desbravar abraços e enlaços, Gilda que me ensinou a ir sendo, Gilda tão arraigada em mim e que agora se despede me provocando um sorriso. Você vai me fazer falta, mas eu vou te fazer viva, eu prometo.
Pegar uma flor no chão do cemitério. Fazer um pedido. Ir embora.


Picolé de Chuchu ;

Fria e Indigesta !